segunda-feira, 20 de maio de 2019

Budha (Mercúrio) nas casas

Enquanto Chandra representa a mente, Budha guarda relação com a inteligência intelectual (buddhi), cuja função é organizar, analisar e exprimir pensamentos por meio da comunicação, outro de seus talentos naturais.

Budha também é o graha que se encontra mais próximo de Sūrya, sendo raramente visível do ponto de vista terrestre. Logo, não é de se estranhar que esse seja um graha detentor de jovialidade e inteligência ímpares, além de ser aquele que, na qualidade de um mensageiro, realiza o intermédio entre o mundo do espírito e da matéria. Foi provavelmente em função disso que os ṛṣis de outrora relacionaram Budha à Śrī Viṣṇu, que de tempos em tempos se manifesta sobre a Terra para reestabelecer os princípios do dharma.

Em um horóscopo, a posição de Budha nos ajuda a determinar a qualidade da comunicação do indivíduo, os assuntos por que se interessa, sua inteligência e capacidade de aprendizado, temas esses modificados pelas influências que Budha recebe de outros grahas, que como foi pontuado na tradição, é facilmente influenciável, como uma criança.

Budha é considerado forte quando:

(1.1)Ocupa virgem, gêmeos ou signos amigos no mapa natal ou nos vargas. No caso, quanto maior o número de divisões ideais ocupadas por Budha, melhor.
(1.2) Se encontra retrógrado (vakra).
(1.3) Está sob a influência de saumya grahas (Guru, Śukra, Budha ou Chandra) ou cercado por esses.
(1.4) Em uma situação onde o seu dispositor, tanto do rāśi quanto do navāṁśa, detém força.
(1.5) O nascimento se dá no seu dia ou durante a sua hora.
(1.6) Seu ṣaḍ-bala é superior a 420 virūpas.

Budha ainda ganha força quando ocupa os kendras, koṇas, a dois e a onze, enquanto que nas demais tende a manifestar maus resultados, salvo exceções. Abaixo você pode encontrar descrições de Budha em cada uma das doze casas: 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A homossexualidade pode ser identificada em um mapa?

Certa vez vi um astrólogo dizendo que não era possível determinar homossexualidade em um horóscopo, mas isso definitivamente não é verdade. Há indicações de homossexualidade sim. No caso, em termos de gênero, Sūrya, Maṅgala e Guru são definidos como grahas masculinos, Śukra e Chandra como femininos, enquanto Budha e Śani são definidos como eunucos (kliba). A designação usada nesse caso, de “eunuco”, sem dúvida pode soar pejorativa, porém a ideia é de que o indivíduo seria indiferente ou impotente em relação ao sexo oposto, ou seja, teria inclinação a homossexualidade.

Com isso em mente, fiz um estudo com dezenas de mapas de homossexuais e repetidamente notei o seguinte:

(1) A sete (do lagna e/ou de Chandra), seu senhor e/ou Śukra aparecem sob influência dos kliba-grahas: Śani e/ou Budha, assim como também podem estar ocupando os rāśis ou navāṁśas regidos por esses.

(2) Significadores pessoais, isso é, o lagna, lagneśa, Chandra e/ou Sūrya aparecem frequentemente ou sob influência de Śani e/ou Budha ou ocupando os rāśis ou navāṁśas regidos por esses. Por vezes ambas as coisas ocorrem.

Há algumas outras configurações menos comuns que também observei, porém essas são as mais frequentes. Na verdade, mais do que isso, elas estão sempre presentes.

Uma pesquisa como essa é interessante porque deixa bastante claro que a homossexualidade, condenada em tradições abraâmicas como o cristianismo, é na verdade parte da natureza e não uma anomalia. Inclusive, na cultura védica/hindu, considera-se que a homossexualidade seja o terceiro sexo (tṛtīya-prakṛti). Por sinal, nem mesmo a medicina aceita que a homossexualidade seja uma doença ou algo que se adquire, pois ela é inata, algo que o āyurveda já dizia a milênios atrás.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Profissões relacionadas a cada um dos grahas

Cada graha encontra relação com certas profissões. Em geral, é a partir da dez, seu senhor e as influências que esses recebem que se determina a carreira que um indivíduo irá seguir. Porém, nos clássicos é dito que o senhor do navāṁśa ocupado pelo senhor da dez é especialmente importante para determinar a carreira, o que vejo corresponder muito bem, especialmente quando também consideramos a dez de Chandra e o senhor dessa casa, algo que é recomendado também pela tradição.

Abaixo apresento uma lista considerável de carreiras relacionadas a cada um dos nove grahas:

Sūrya: cargos administrativos ou governamentais (políticos, embaixadores, diplomatas, reis, etc.), banqueiros, financiadores, pessoas que trabalham em instituições ou organizações grandes, médicos, treinadores, terapeutas, atletas, atores, pessoas que trabalham na área legal, assim como também com perfumes, tecidos de lã, rubis, compostos químicos, venda de veículos, aconselhamento, preceptoria, viagens, produção de frutíferas, jogatina, recitação de mantras e a realização de yajñas; pessoas envolvidas em atividades escusas, como fraudes e também aqueles que trabalham com metais, em especial os ourives.

Chandra: que envolvem auxiliar os demais (enfermeiras, curandeiras, etc.), trabalhos ligados as mulheres, assim como também profissões como as de parteiras, babás, professores de jardim de infância, cozinheiros e outros que lidam com alimentos, trabalhos envolvendo o lar, psicólogos e outros que trabalham com a mente, filantropos, trabalhos sociais, profissões que envolvem ervas e outras plantas, pousadistas, trabalhos envolvendo laticínios, entretenimento, joias e pedras preciosas, prata, moda e roupas, produtos aquáticos, tapeçaria, viagens, etc.

sábado, 4 de maio de 2019

Maṅgala (Marte) nas doze casas

Diferente de Sūrya que representa o fogo sagrado dos yajñas (ritos religiosos), Maṅgala guarda relação com o fogo que destrói. Inclusive, do ponto de vista terrestre, Maṅgala se apresenta com um fulgor avermelhado, cor de sangue, passando a ideia de paixão, energia, ação, impulsividade e violência, que é exatamente a forma como ele incide sobre os pontos do mapa que afeta.

Maṅgala guarda relação com a juventude masculina, que é competitiva, impaciente, feroz, exibidora, incisiva, impulsiva e irascível, em contraste com Sūrya, que trata da idade madura dos homens, enquanto figuras protetoras, exemplares e de caráter firme e forte. Além disso, por ser um graha ígneo, cruel e tamasika (de natureza obscura), Maṅgala também se encontra relacionado à acidentes, cirurgias, incêndios, assassinatos e outros eventos similares, assim como com atividades militares, arriscadas e que demandam coragem.

Em seu Upadeśa sūtra, Jaimini atribuiu a Maṅgala a relação com o nyāya, ou seja, lógica e retórica, artifícios esses que podemos comparar a armas afiadas com as quais não só nos defendemos a nível intelectual como também atacamos, seja no intuito de por abaixo toda sorte de ideias e argumentos irracionais e equivocados, seja com a intenção de simplesmente agredir e desafiar.

Maṅgala é considerado forte quando:

(1.1) Ocupa áries, escorpião, capricórnio ou signos amigos, seja no rāśi, horā, drekkāṇa, saptāṁśa, navāṁśa, dvādaśāṁśa ou triṁśāṁśa. Quanto maior o número de divisões ideais ocupadas por Maṅgala, melhor.
(1.2) Se encontra retrógrado (vakra).
(1.3) Está sob a influência de saumya grahas (Guru, Śukra, Budha ou Chandra) ou cercado por esses.
(1.4) Em uma situação onde o seu dispositor, tanto do rāśi quanto do navāṁśa, detém força.
(1.5) O nascimento se dá no seu dia ou durante a sua hora, assim como quando o nascimento é noturno, durante a quinzena escura do mês lunar.
(1.6) Seu ṣaḍ-bala é superior a 300 virūpas.

Maṅgala ainda ganha força quando ocupa as casas três, seis, dez ou onze, enquanto que nas demais tende a manifestar maus resultados, salvo exceções. Abaixo você pode encontrar descrições de Maṅgala em cada uma das doze casas: 

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Trânsitos de maio de 2019

Fiquei sem escrever sobre o mês de abril, pois fiquei bem ocupado, mas estou hoje retomando a descrição dos trânsitos do mês, no caso, do mês de maio. Seguem abaixo os movimentos deste próximo mês:

03.05 Mercúrio ingressa áries.
05.05 ocorre uma oposição entre Marte e Júpiter à 29º de touro-escorpião.
06.05 Marte ingressa gêmeos.
10.05 Vênus ingressa áries.
15.05 vṛṣabha saṁkrānti (ingresso do Sol em touro).
18.05 Mercúrio ingressa touro.
30.05 ocorre uma oposição entre Mercúrio e Júpiter à 26º de touro-escorpião.

O que eu noto, a respeito dessas posições, é:

(1) Júpiter enfrenta duas oposições, a primeira de Marte em 05.05 e a segunda de Mercúrio em 30.05. Essa primeira é negativa e representa, a nível de medini (astr. Mundial), prejuízos aos temas de Júpiter, ou seja: a religião, as universidades, templos, professores, religiosos, crianças, etc. No caso, violência, protestos ou atividades radicais são típicas manifestações de Marte.

Em astrologia natal, essa oposição afetará com energia, entusiasmo, competitividade e uma atitude expansiva e aventureira o eixo do mapa em que estiver se dando. Pode-se considerar que alguns dias antes e depois da oposição seus efeitos seguem se dando.

(2) O ingresso de Mercúrio em áries no dia 03.05, seguido do de Marte em 06.05 constituirá um parivartana yoga entre ambos, o que perdura até 18.05 apenas. Deve-se observar que temas esses afetarão para cada um dos doze ascendentes. No caso, para os ascendentes touro, câncer, virgem, escorpião e capricórnio, esse parivartana tende a atuar de maneira negativa, pois é um dainya parivartana. Para os demais lagnas a tendência natural é que os resultados do parivartana sejam positivas, afinal, se tratará de mahā ou kāhala parivartana.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Sobre como determinar a longevidade a partir do mapa

Dos temas que podem ser estudados em um horóscopo, nenhum é tão difícil de precisar quanto o tema longevidade. Mesmo os melhores astrólogos podem falhar ou se mostrar apreensivos em relação ao estudo dessa área da vida. No entanto, os astrólogos do passado deixaram bastante claro que antes de analisar qualquer coisa em um mapa, o astrólogo deve determinar a longevidade do indivíduo, pois afinal, de que adiantam rāja yogas para alguém que está destinado a morrer antes de desfrutar dos resultados desses?

Para resolver esse problema, os astrólogos do passado desenvolveram dezenas de métodos visando determinar a longevidade de um indivíduo. No caso, a esses métodos é dado o nome de nitya āyurdāya quando envolvem cálculos matemáticos - como é o caso do piṇḍa, aṁśa e nisarga āyurdāya - ou anitya ayurdāya, quando envolvem a observação de três pares de fatores - como é o caso do método de Jaimini e o de Mantreśvara. Nenhum desses sistemas é 100% funcional, pois inclusive alguns deles possuem inúmeras variações possíveis em seus cálculos, fruto tanto de discordância quanto também de dúvida entre os astrólogos clássicos e contemporâneos.

Em vista disso, muitos se sentem desencorajados a tentar determinar a longevidade. Porém, há um terceiro método de avaliar a longevidade: yogaja, o qual é muito mais flexível e, por sinal, pode-se dizer que é 100% preciso se utilizado da maneira correta. Nesse método, o que importa é observar a distribuição dos grahas no mapa, suas forças, os yogas que formam e consequentemente, a maneira como afetam a longevidade.

Um indivíduo que nasce com Chandra na oito, minguante, conjunto a Rāhu e sob olhar de Śani, sem qualquer intervenção de um saumya graha (benéfico), por exemplo, é um caso de alpayu, vida curta, senão de balāriṣṭa, morte infantil. Já alguém que nasce com Śani exaltado na onze e o regente da oito digno na cinco, enquanto o senhor do lagna ocupa um kendra sob olhar de Guru, é um caso de pūrṇāyu (vida longa).

Praticamente todos os textos clássicos de jyotiṣa contém pelo menos um capítulo inteiro dedicado ao tema longevidade e, quando não, possuem pelo menos alguns versos dedicados ao assunto, incluindo sempre versos que se referem a yogaja. Inclusive, em seu “How to judge a horoscope”, B. V. Raman chegou a listar uma série de yogas para vida curta, média e longa, extraídos de versos clássicos. Dessa forma, é possível sim prever a longevidade de um indivíduo, especialmente por meio de yogaja, porém, isso não necessariamente é algo fácil de se fazer, pois como disse mais acima, nada é mais difícil no jyotiṣa do que determinar a longevidade de um indivíduo.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Esclarecimentos sobre o ṣaṣṭyāṁśa

No início dos meus estudos de jyotiṣa, algo que me atraía muito era a possibilidade de usar os vargas, que na época eu entendia como mapas divisionais. Dentre os vargas, o que mais chamava a atenção era o ṣaṣṭyāṁśa, que consiste na divisão de um signo em sessenta partes de 0º30' cada. Essa atração se dava pelo simples fato de que, além de ser o mais sutil dos vargas, onde o ṣaṣṭyāṁśa do lagna (asc.) muda a cada um ou dois minutos, em média, o ṣaṣṭyāṁśa é descrito na versão contemporânea do Bṛhat Parāśara horā como sendo um varga que trata de todos os assuntos.

Pois bem, isso que descrevi se referia as minhas impressões iniciais. Vejo várias pessoas que recém iniciaram seus estudos com esse mesmo tipo de fascínio que eu também já tive. Inclusive, já ocorreram situações em que invés da pessoa me enviar o seu mapa natal (rāśi) para consulta, ela me enviou o seu ṣaṣṭyāṁśa, tamanha a importância que alguns vieram a atribuir a esse varga nos dias atuais, que devo deixar bem claro, se deve a uma apresentação equivocada do tema.

Porque digo que essa visão é equivocada? Por várias razões, mas a primeira se refere ao fato de que os vargas jamais foram exemplificados nos clássicos como mapas à parte do mapa natal, mas sim como meras divisões de um signo. Ou seja, invés de se construir um mapa à parte com as posições dos grahas projetadas nesse, o que os astrólogos do passado faziam era analisar coisas como: "Guru ocupa a casa um, no signo de câncer e navāṁśa de Śani (no caso, capricórnio ou aquário)", ou seja, eles usavam dos vargas como subdivisões de um signo, sempre em função das posições natais e não de posições virtuais, como ocorre quando usamos os vargas, enquanto "mapas divisionais". Inclusive, já cheguei a abordar isso em um artigo passado, o qual pode ser acessado clicando aqui.