terça-feira, 25 de agosto de 2020

Em 09.10.20: curso sobre os fundamentos do praśna, a astrologia horária


Em 9 de outubro de 2020 estarei iniciando um curso online, via Microsoft Teams, que abordará os fundamentos do praśna, a astrologia horária. Esse método de jyotiṣa é útil tanto para responder perguntas individuais e mais específicas quanto também para auxiliar em uma consulta astrológica, já que oferece um segundo testemunho a respeito do indivíduo. 

O curso se baseará nos princípios expostos pelo astrólogo Nīlakaṇṭha no seu Tājika Nīlakaṇṭhī, ou seja, estudaremos o praśna usado no ramo do jyotiṣa que é denominado tājika. Porém, usaremos também de algumas outras referências clássicas para complementar o estudo.

Agora, em relação ao conteúdo do curso, ele incluirá três aulas, que são:

1. Introdução ao praśna jyotiṣa; utilidades; sobre o astrólogo e aquele que o consulta; momentos propícios e impróprios para a realização de um praśna

2. Sobre os significadores de uma questão; dṛṣṭis (aspectos); avasthās (condições) dos grahas

3.  Yogas específicos para praśna

No caso, teremos a primeira aula no dia 9 de outubro, a segunda no dia 12 e a terceira no dia 19. Todas as aulas serão dadas às 19hrs e terão extensão de no máximo 1h30min, incluindo PDF para acompanhamento e exemplos práticos.

O valor do curso é de R$ 400,00 à vista. Ele também pode ser parcelado via pagseguro em até 12x. Os interessados devem se inscrever até no máximo o dia 7 de outubro. Para isso, basta me contatar via whatsapp (12996242742) ou e-mail (jyotishabr@gmail.com). 

oṁ tat sat

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Indira Gandhi e os seus muitos parivartana yogas

Se há um yoga que gera confusões, esse yoga é o parivartana, que na verdade consiste em um dentre os quatro tipos de sambandhas, relacionamentos possíveis entre os grahas. Os outros três seriam a conjunção (yuti), o olhar mútuo (paraspara-dṛṣṭi) e a recepção (adhipati-dṛṣṭi).

A palavra parivartana significa “troca”, referindo-se, nesse caso, ao fato de dois grahas ocuparem um o signo do outro, como no exemplo onde Guru (Júp) ocupa libra e Śukra (Vên) ocupa peixes. Na tradição helenística, medieval, etc., de astrologia, o nome que foi dado a essa configuração é recepção mútua.

Os indianos classificaram o parivartana como pūrṇa-sambandha, ou seja, como um relacionamento pleno entre os grahas. Isso porque tais grahas vão dispor um ao outro, o que criaria entre eles uma forte relação de cooperação, a qual pode tanto gerar o bem quanto também o mal, a depender da configuração em questão. 

Em relação a isso, o sábio Mantreśvara dividiu os parivartanas em três tipos: mahā, khala e dainya. Suas definições são as seguintes:

Mahā: envolve os regentes dos bhāvas 1, 2, 4, 5, 7, 9, 10 e 11.

Khala: envolve o regente do bhāva 3 com o regente de qualquer bhāva.

Dainya: envolve o regente dos dusthānas (6, 8 e 12) com o regente de qualquer bhāva.

O mahā parivartana, naturalmente é benéfico, já que envolve regentes de bhāvas positivos, enquanto o dainya é negativo e o khala intermediário.

Para exemplificar como os parivartanas funcionam e devem ser interpretados, vou usar o mapa da Indira Gandhi, que é o mais icônico dos mapas para se estudar essa configuração. No caso, vou focar especialmente nos resultados das daśās dos grahas envolvidos nos parivartanas, pois essa é a forma mais eficaz de compreender como os grahas e seus yogas funcionarão em um mapa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Melapaka - a sinastria

A questão que mais interessa para as pessoas em geral, em uma consulta, é sobre a vida afetiva. Isso é algo que quem atende sabe bem. Nunca calculei a porcentagem de pessoas que pergunta sobre o assunto, mas imagino que passe dos 70%. Claro que as pessoas também possuem outras preocupações, mas sem dúvida, essa se destaca. Seres humanos são essencialmente gregários e enxergam propósito na vida quando podem servir e amar a algo, seja a família, a sociedade, ou, na sua expressão mais perfeita: a Deus. Sem servir e amar a algo, definhamos, e como vivemos no mundo da dualidade, somos inclinados a idealizar a perfeição do serviço e do amor em uma parceira, ou parceiro afetivo.

Logo, visando dar uma breve ideia de como no jyotiṣa o tema afetivo é analisado, decidi escrever esse artigo, que aborda melapaka, o que no ocidente chamamos de sinastria. Basicamente, na tradição indiana, o melapaka consite na análise de oito (aṣṭa) ou dez elementos (daśa kuta) que são todos baseados no nakṣatra ou no signo ocupado por Chandra (Lua) no mapa do casal. Essas considerações são rajju, mahendra, gaṇa, etc., que avaliam coisas como harmonia, atração física, saúde, fortuna, etc., dentro do contexto da relação. Porém, essa análise é não só qualitativa como também quantitativa, já que ao final dela os pontos indicados por cada conjugação são somados para então saber se a relação é ou não recomendada.

Na Índia, esse método de aṣṭa/daśa kuta é bem respeitado e seguido. Muitos, inclusive, são dogmáticos quanto ao método e não aceitam nada mais além dele. Em termos de textos clássicos, o encontrei no Jātaka deśa mārga de Somayajī e também em um kāma śāstra, mas se não me falha a memória a origem dele é um outro texto que agora não me lembro o nome. De qualquer forma, partir apenas do aṣṭa/daśa kuta para determinar a compatibilidade de um casal não é nada prudente, já que há outras técnicas a serem empregadas, algo que, inclusive, foi abordado pelo Robert Svoboda e o Hart de Fouw no Light on relationships, livro que ambos escreveram juntos. Mesmo certos astrólogos indianos com quem travei contato deixaram claro que a sinastria vai muito além do aṣṭa/daśa kuta, algo que eu, na minha ínfima experiência, também concordo.

Matematizar técnicas de jyotiṣa soa muito tentador, já que resolveria com números um problema interpretativo e que pode facilmente descambar na subjetividade do interpretador. Mas como o jyotiṣa não é só matemática, pelo contrário, é muito mais simbólico, se faz necessário o uso de outras técnicas antes de se emitir qualquer julgamento sobre a compatibilidade de um casal.