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domingo, 6 de fevereiro de 2022

Sobre as minúcias e os seus problemas

O que nos permite praticar uma astrologia natal, ou seja, dedicada ao estudo do destino de um indivíduo, é o lagna, ou ascendente. Sem ele, não conseguiríamos diferenciar um indivíduo de outro, já que mesmo o graha mais rápido, Chandra (Lua), permanece dois dias e meio em um signo - ou um dia em um nakṣatra -, uma faixa de tempo ampla demais para determinarmos as diferenças entre dois ou mais indivíduos.

A média de tempo para que o lagna mude de signo, no entanto, é de duas horas, ou seja, ele é 30x mais rápido do que Chandra. Porém, mesmo uma faixa de duas horas é ampla, já que nascem no mundo todo cerca de 150.000 pessoas por hora, todas elas com destinos distintos. Pensar nisso pode soar desencorajador para um estudante de astrologia, afinal, é como se estivéssemos sendo sempre parciais em nossas interpretações, uma vez que milhares de pessoas podem partilhar de um mesmo mapa, mas terem destinos muito distintos. Porém, em um signo nós temos inúmeras divisões, os denominados vargas/aṁśas, os quais adicionam variações diversas às disposições de um mesmo signo. Logo, embora milhares de pessoas possam vir a nascer com o mesmo mapa, é improvável que tenham o lagna situado nos mesmos vargas.

Só para terem uma dimensão, essas são as divisões de tempo necessárias para o lagna mudar de um varga a outro, considerando que o lagna leva 2h em média para percorrer um signo:

1 drekkāṇa (10º00’) = 40 minutos

1 navāṁśa (3º20’) = 13,33 minutos

1 dvādaśāṁśa (2º30’) = 10 minutos

1 ṣaṣṭyāṁśa (0º30’) = 2 minutos

Aqui estou apenas abordando as divisões de um signo em três, nove, doze e sessenta partes. Porém, há muitas outras divisões, como as de dez, dezesseis, vinte, quarenta e até mesmo de cento e cinquenta ou de trezentas partes. Tais divisões simbólicas foram teorizadas pelos astrólogos do passado no intuito de aumentar o grau de especificidade das análises. Logo, dois indivíduos com um mesmo lagna poderiam ser diferenciados, considerando que esses lagnas estariam situados no mesmo signo, mas em vargas diferentes.

Um indivíduo com o lagna em áries, mas no navāṁśa de touro, certamente terá uma disposição bem distinta de outro indivíduo que tem o lagna em áries, mas no navāṁśa de escorpião, isso para não falarmos das mudanças que ocorrem também nos outros vargas. Por exemplo, pode ser que o primeiro indivíduo citado tenha o seu lagna em um ṣaṣṭyāṁśa[1] presidido por uma divindade benevolente, enquanto o segundo o tenha situado em um ṣaṣṭyāṁśa de uma divindade cruel. Isso seria suficiente para mudar a disposição de cada um deles, mas não resolve o problema dos destinos distintos, já que concerne apenas o estudo das suas personalidades e corpos.