Quando o astrólogo
analisa um mapa, nele ele vê múltiplas promessas, mas dentro de um formato
atemporal, ou seja, você sabe que a pessoa vai se casar, divorciar e casar de
novo, mas essas coisas não vão acontecer ao mesmo tempo, afinal, isso nem
sentido faz. Aí é que entram as técnicas de tempo simbólico, que no jyotiṣa nós
chamamos de daśās. As daśās funcionam como gatilhos que ativam
eventos dentro de uma faixa X de tempo. Logo, há daśās que favorecem
casamentos, outras que favorecem divórcios, e o astrólogo deve ser capaz de
diferenciar uma coisa da outra para poder prever eventos distintos, mas
prometidos no mapa.
Uma vez que o astrólogo sabe usar das daśās para prever eventos, ele deve confirmar esses eventos por meio dos trânsitos. Tanto as daśās quanto os trânsitos são técnicas de predição, mas de naturezas distintas, pois a daśā lida com um tempo simbólico – p. ex.: “fulano vive a daśā de Júpiter, que dura 16 anos, depois entra na daśā de Saturno, que dura 19 anos” –, ao passo que o trânsito lida com um tempo real – p. ex.: “Saturno vai estar passando por aquário até 2025, logo, ele vai afetar X casa do seu mapa até lá”. Essas duas técnicas de predição são interdependentes, pois se ignoramos uma delas, automaticamente diminuímos muito a nossa precisão preditiva.