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terça-feira, 9 de março de 2021

Ekadaśī-vrata

Além do mês civil que é tão importante para os calendários em geral, na Índia também se considera, especialmente para observações religiosas, o mês lunar, que se estende de uma Lua nova (āmāvāsya) a outra (amānta-māsa) ou de uma Lua cheia a outra (pūrṇimānta-māsa) a depender da região ou tradição em questão.

Um mês lunar consiste de trinta tithīs (dias lunares), onde quinze se dão durante a fase onde a Lua vai ganhando luz (śukla-pakṣa, que vai do primeiro dia após a Lua nova até a Lua cheia) e quinze durante a fase onde a sua luminosidade decresce (kṛṣṇa-pakṣa, do primeiro dia após a Lua cheia até a Lua nova). Cada uma dessas tithīs corresponde a uma determinada distância longitudinal entre o Sol e a Lua, tendo cada uma delas um nome que geralmente é numérico. Por exemplo, pratipad é o primeiro dia lunar, dvitīya o segundo, etc.

O décimo primeiro dia lunar tanto da fase crescente quando minguante é chamado de ekadaśī (onze) e, nos Purāṇas, esse dia é citado como ideal para cultivar a devoção a Hari (Kṛṣṇa/Nārāyaṇa/Viṣṇu). A tradição recomenda que nesse dia todos jejuem e adorem Hari por meio de bhajanas (canções devocionais), mantra-japa, orações, etc. Logo, o ekadaśī é um vrata, um voto recomendado nas escrituras. Ele é seguido por adeptos de diferentes tradições, porém é especialmente glorificado e observado nas tradições vaiṣṇavas.

Abaixo eu listei algumas explicações do ekadaśī, partindo não só da perspectiva do jyotiṣa, mas também do yoga e do āyurveda, para que todos possam entender melhor e se beneficiar desse dia tão especial:

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Curso online sobre o pañchāṅga em 11-12 de novembro

Agora em novembro, nos dias 11 e 12 (horários a serem combinados com os interessados), darei duas aulas online sobre o pañchāṅga, os cinco elementos essenciais para determinar as qualidades do tempo e que são sempre analisados pelos astrólogos antes da delineação do horóscopo do indivíduo. Essa técnica consiste em basicamente notar o dia da semana (vāra), o nakṣatra ocupado por Chandra, a tithī (dia lunar), o karaṇa (a metade de uma tithī) e o nitya-yoga presente no momento do nascimento do indivíduo. Por meio disso é possível já inferir certas características do indivíduo e de sua vida, assim como também se há ou não algum doṣa (defeito) significativo que lhe afetará negativamente.

Na Índia, é costume notar logo de início todos esses elementos, os quais formam o pano de fundo para a delineação do horóscopo. Além disso, esses elementos do pañchāṅga são essenciais para a eleição (muhūrta) de momentos apropriados para o início de diferentes atividades, algo que abordarei mais superficialmente nessas aulas, uma vez que isso demanda um estudo à parte e extensivo sobre o assunto.

O conteúdo do curso será:

1.0. Pañchāṅga
1.1. A importância de Sūrya & Chandra
2.0. Os sete vāras e seus efeitos
3.0. Os vinte e sete janma-nakṣatras e as descrições clássicas dos mesmos
4.0. As dezesseis tithīs e seus efeitos
5.0. Os onze karaṇas e seus efeitos
6.0. Os vinte e sete nitya yogas e seus efeitos
7.0. Doṣas (gaṇḍānta, eclipses, viṣṭi karaṇa, saṁkrānti, amāvāsyā e kṛṣṇa chaturdaśī)
8.0. A importância do pañchāṅga em muhūrta-jyotiṣa (astrologia eletiva)

Interessados em participar do curso devem estar se inscrevendo até no máximo o dia 8 de novembro, o que inclui a realização do depósito. No caso, o valor do curso é de R$ 350,00. As aulas serão dadas via zoom e o áudio delas será gravado para que possam ouvir o conteúdo novamente. Isso possibilitará que mesmo pessoas que não possam participar dos encontros online consigam acessar todo o conteúdo. Além disso, no curso também está incluído um PDF para acompanhamento e um bom número de mapas que serão usados para exemplificação.

Para inscrição, contate-me via email (jyotishabr@gmail.com) ou whatsapp (12996242742).

oṁ tat sat

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Desmistificando o horóscopo diário

Muitas pessoas acabam entrando em contato com a astrologia por meio dos horóscopos de jornais, revistas e sites, os quais se baseiam no signo solar, geralmente tropical, para realizar certas predições diárias, semanais, quinzenais ou mesmo mensais. Naturalmente, por uma questão de praticidade, tais predições se confinam ao signo solar e, portanto, dividem toda a humanidade, com seus aproximadamente oito bilhões de seres humanos, em apenas doze padrões astrológicos.

Essa prática teve origem em meados de 1920, por influência de Alan Leo, que sendo um dos primeiros astrólogos designados modernos e um perito homem de negócios, com escritórios em Londres, Paris, Nova Iorque e uma equipe de cerca de doze pessoas, começou a produzir milhares de horóscopos ao ano, todos baseados em um único e simples fator acessível a todos: o signo solar (tropical). Definitivamente, essa foi uma jogada de marketing brilhante, isso é inegável, pois com isso Alan Leo conseguiu engordar seu bolso e massificar o interesse pela astrologia, que antes era um assunto complexo e geralmente limitado a classe intelectual ou mais abastada. Graças a sua “contribuição”, agora toda e qualquer pessoa, sabendo sua data de nascimento, pode consultar seu horóscopo diário, semanal, etc., não sendo necessário saber qual é o seu ascendente, posição lunar e muito menos as posições dos outros grahas, as relações entre eles, suas dignidades e tantas outras informações “enfadonhas”.

Agora, pensem comigo: faz sentido dividir toda a humanidade, com seus aproximadamente oito bilhões de seres humanos, em apenas doze padrões astrológicos? Não, isso não faz qualquer sentido. É completamente absurdo e, portanto, não passa de uma jogada de marketing ou de puro entretenimento. Não há diferença alguma entre essa abordagem e os anúncios de internet como: “aprenda a tocar qualquer instrumento em uma semana!”, ou “alcance o sucesso seguindo apenas três passos!”. Ainda assim, muitos não percebem isso ou quando percebem, já logo assumem que astrologia é apenas mais uma forma de charlatanismo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O impacto das quinzenas do mês lunar sobre um horóscopo

Na Mānsagarī são descritos (cp. 1) os resultados de nascimentos ocorrendo nos dois pakṣas ou quinzenas do mês lunar, śukla kṛṣṇa:

"Aquele que nasce em śukla-pakṣa (quinzena brilhante, da fase nova à cheia) será brilhante como Chandra, rico, industrioso, versado em muitos śāstras, eficiente e educado.

Quem nasce em kṛṣṇa-pakṣa (quinzena escura, da fase cheia à nova) será cruel, mal-humorado, hostil às mulheres, obtuso, dependerá da misericórdia de outros e terá uma grande família."

O Yavana jātaka, por sua vez, diz o seguinte:

"O indivíduo que nasce em śukla-pakṣa deterá longevidade e terá muitos filhos. Será atencioso para com as necessidades e interesses de seu povo, benevolente, afável, uma pessoa respeitável, mas que viverá sobre o controle de sua esposa.

Aquele que nasce durante kṛṣṇa-pakṣa será habitualmente indolente, desleixado, buscará falhas nos outros e se valerá de uma linguagem áspera e impura."

Por fim, outro clássico que descreve os resultados dos pakṣas é o Jātaka pārījāta, que diz:

"O nascido durante śukla-pakṣa será muito eminente, rico, virtuoso e misericordioso.

Quem nasce em kṛṣṇa-pakṣa perseguirá os seus próprios interesses, será devotado a sua mãe, mas não demonstrará afeto pelos demais parentes."

Basicamente, todos os autores concordam quanto ao fato de que śukla-pakṣa outorga bons resultados, enquanto kṛṣṇa-pakṣa é fonte de maus resultados. No entanto, Chandra é especialmente fraco durante o quarto minguante, que vai de kṛṣṇa aṣṭāmi (oitavo dia lunar da quinzena escura) à śukla pratipad (primeiro dia da quinzena brilhante), sendo que em kṛṣṇa-chaturdaśī (décimo quarto dia da quinzena escura) e em āmāvāsya, Chandra outorga os piores resultados, pois essas duas tithīs (dias lunares) são classificadas nos clássicos como doṣas (defeitos ou desarmonias que afetam o jātaka de maneira integral).