sexta-feira, 28 de junho de 2019

Trânsitos de julho de 2019

Agora em julho, há uma série de movimentos interessantes ocorrendo no céu, os quais são:

02.07 ocorre um eclipse solar total à 16º de gêmeos.
07.07 Mercúrio retrograda a partir de 10º de câncer, o que perdura até 31.07, quando ele retoma o movimento direto em 29º de gêmeos.
08.07 ocorre um apasavya graha-yuddha entre Mercúrio e Marte à 10º de câncer, com Marte possivelmente sendo subjugado.
09.07 ocorre uma oposição entre o Sol e Saturno à 23º de gêmeos-sagitário.
16.07 ocorre um eclipse lunar parcial à 29º de sagitário; karka saṁkrānti (Sol ingressa câncer).
17.07 ocorre uma oposição entre Vênus e Saturno à 22º de gêmeos-sagitário e uma conjunção entre Vênus e Rāhu à 23º de gêmeos.
22.07 Vênus ingressa câncer.

Em síntese, o que podemos imaginar a partir desses movimentos é o seguinte:

(1) O eixo gêmeos-sagitário segue sendo afetado, assim como no mês de junho, mas agora o impacto é dos eclipses e também da oposição entre Sol e Saturno no dia 09.07 e entre Vênus e Saturno no dia 17.07.

Considerando-se que os maléficos seguem incidindo sobre o eixo ge-sg, o impacto naturalmente tende a ser mais negativo. Para cada lagna o impacto é distinto, naturalmente, uma vez que esse eixo vai se situar em casas específicas. Mas, segue a tendência natural a um impacto negativo, que afeta em especial aqueles que possuem o lagna, o lagneśa, a Lua ou o senhor da Lua em um desses signos. Em virtude da aflição que Vênus sofrerá no dia 17.07, o período próximo a esse dia, tanto antes quanto depois, será geralmente negativo para os seus temas.  

(2) Com a retrogradação de Mercúrio em câncer, a partir do dia 07.07 e estendendo-se até 31.07, naturalmente se dará uma revisão dos assuntos da casa em que esse trânsito se efetiva, assim como também dos grahas natais influenciados. Por exemplo, alguém cujo lagna é leão deve tomar cuidado com decisões precipitadas no que tange gastos/investimentos e viagens, embora seja também bem possível que investimentos inteligentes sejam feitos neste período, talvez em coisas que o indivíduo havia deixado temporariamente de lado. Já alguém cujo lagna é sagitário pode vivenciar algum tipo de revisão ou reviravolta nos seus relacionamentos ou mesmo na carreira durante esta retrogradação, o que pode ou não ser positivo a depender de fatores mais específicos.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Os desafios do homem moderno em compreender a literatura clássica do jyotiṣa

A literatura clássica do jyotiṣa, além de vasta, é densa e pesada. Nela, os princípios da astrologia não são extensivamente explicados, pelo contrário, são apresentados de forma concisa quando não enigmática. Porque? Porque espera-se que o estudante reflita com esmero. O conhecimento não vem mastigado e há certas coisas que somente um jyotiṣa-guru pode esclarecer, uma vez que ele detém mais experiência e pode nos facilitar a caminhada, remover nossas percepções equívocas, etc.

Vejo com frequência as pessoas ficando em choque diante de afirmações isoladas dos śāstras, as quais elas julgam fatídicas, quando na verdade a verdadeira intenção do śāstra é nos instruir sobre fundamentos básicos e que, para isso, demandam a clara demarcação de contrastes. Não se espera que cada resultado descrito se cumpra, mas sim que o astrólogo em si aprenda a pensar astrologicamente. O que se apresentam nos ślokas e sūtras são possibilidades de interpretação dentre uma infinidade de possibilidades naturais, uma vez que para uma mesma configuração há um número sem par de variáveis envolvidas.

Por exemplo, é notável que no que se refere a descrever os resultados dos grahas nos signos, os clássicos usam de uma abordagem muito simples: se o graha ocupa um signo regido por um krūra-graha (maléfico), seus resultados serão maléficos, ao passo que se ele ocupa um signo regido por um saumya-graha (benéfico), seus resultados serão positivos. Os posicionamentos por casa também seguem a mesma ideia. Essa é uma lógica bem preto e branco. Na verdade, podemos dizer sim que é simplista, sem dúvida alguma, mas ela é absolutamente necessária para o aprendizado. Porque? Porque você precisa primeiro ter uma clara noção dos fundamentos e de seus contrastes: há elementos krūra (crueis ou severos) e saumya (benéficos ou agradáveis), da mesma forma que há grahas masculinos e femininos. Sem saber isso, você não teria como interpretar um mapa apropriadamente, pois faltariam referências básicas. No entanto, isso não quer dizer que entre o preto e o branco não podemos ter vários tons de cinza, e os śāstras esperam que você descubra isso por conta própria, afinal, isso só depende de um pouco de senso comum e lógica.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Curso em julho sobre como interpretar Guru (Júpiter) detalhadamente

A tradução da palavra Guru é “mestre” ou “aquele que dissipa a ignorância por meio do conhecimento”, pois Guru ou Bṛhaspati, é o mais sábio dentre os grahas. Ele é justamente o graha relacionado ao reino humano, o único reino no qual se mostra presente a capacidade de reflexão, de discernir o certo do errado e de apreender a verdadeira natureza das coisas.

Em termos de tattva, Guru foi relacionado ao ākāśa (éter), o primeiro e o mais sútil de todos os tattvas, sem o qual a existência desta realidade material, tanto grosseira quanto sútil, seria impossível. Em virtude disso, Guru trata justamente das coisas mais refinadas e sutis, incluindo o entendimento espiritual, que é justamente o entendimento da origem ou da natureza essencial de todas as coisas. Nisso incluem-se também conhecimentos como os da cosmologia, filosofia, etc.

Agora em julho, a partir do dia 18, darei um curso online de quatro dias exclusivamente dedicado a discorrer sobre Guru. Trata-se de um curso detalhado sobre como interpretá-lo em um jātaka, baseado nas referências clássicas que nos foram deixadas pelos astrólogos do passado.

O curso abrangerá os seguintes tópicos:

1.0. Sobre a natureza de Guru
1.1. Temas diversos a que Guru se relaciona
1.2. Relacionamentos e elementos de força
1.3. Interpretando Guru
1.4. Guru nos rāśis (signos)
1.5. Guru nos bhāvas (casas)
1.6. Guru em relação aos vargas (divisões)
1.7. Guru conjunto a outros grahas
2.0. Guru mahādaśā (o grande período de Guru)
3.0. Guru gochara (os trânsitos de Guru)
4.0. Upāyas para Guru (remédios)

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Guru (Júpiter) nas casas

Na Índia, Júpiter é chamado de Guru, que superficialmente significa "professor". O seu significado mais profundo, no entanto, é expresso na Advayatārakopaniṣad, que diz:
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गुशब्दस्त्वन्धकारः स्यात् रुशब्दस्तन्निरोधकः
अन्धकारनिरोधित्वात् गुरुरित्यभिधीयते १६॥
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“A sílaba ‘gu’ significa escuridão e ‘ru’, aquele que dissipa. Portanto, quem tem tal poder de dissipar a escuridão da ignorância é um guru”.
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Logo, alguém capaz de guiar um indivíduo da treva de tamas (inércia, escuridão ou ignorância) à luminosidade de sattva(bondade, equilíbrio ou conhecimento) pode ser chamado de guru. No entanto, guru também pode se referir a alguém que remove nossas dúvidas quanto a um determinado ramo de conhecimento, não necessariamente espiritual, pois de um ponto de vista mundano, qualquer pessoa que tenha vasta experiência e conhecimento em um determinado tema também pode ser considerado um guru, ou seja, um mestre.

Outra tradução da palavra guru é "pesado", referindo-se ao fato de um guru deter vasto conhecimento e estar firmemente alicerçado na verdade absoluta, ou seja, ele é um tattva-darśī (um vidente da verdade). Astrologicamente, Júpiter é quem personifica todas essas características. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Sendo o regente do akāśa-tattva, o elemento éter/espaço, Guru também é responsável por harmonizar e oferecer o espaço necessário para que cada coisa seja acomodada apropriadamente. Isso também nos leva a compreender que Guru aumenta a capacidade do que influencia de acomodar mais coisas em si, expandindo as possibilidades dos pontos influenciados, dando-lhes maior liberdade, ou seja, um efeito que é oposto ao de Śani (Saturno), que restringe as possibilidades do que afeta.

Guru é considerado forte quando:
(1.1) Ocupa câncer, sagitário, peixes ou signos amigos no mapa natal ou nos vargas. No caso, quanto maior o número de divisões ideais ocupadas por Guru, melhor.
(1.2) Se encontra retrógrado (vakra).
(1.3) Está sob a influência de saumya grahas (Śukra, Budha ou Chandra) ou cercado por esses.
(1.4) Em uma situação onde o seu dispositor, tanto do rāśi quanto do navāṁśa, detém força.
(1.5) O nascimento se dá no seu dia ou durante a sua hora.
(1.6) Seu ṣaḍ-bala é superior a 390 virūpas.

Guru ainda ganha força quando ocupa os kendraskoṇas, a dois e a onze, enquanto que nas demais casas tende a manifestar maus resultados, salvo exceções. Abaixo você pode encontrar descrições de Guru em cada uma das doze casas: 

terça-feira, 18 de junho de 2019

A importância do lagna, de Chandra e de seus senhores

Arte de Sol Luckman.
Um estudo cuidadoso dos jyotiṣa-śāstras revela que, para que um indivíduo tenha êxito na vida, seja na área que for, ele precisa, principalmente, do lagna, lagneśa, de Chandra e do dispositor de Chandra bem colocados. Isso é imanente em vários textos e explícito na Phaladīpikā de Mantreśvara, autor esse que considero o mais conciso e inteligente dentre os principais nomes do jyotiṣa que vieram após o grande Varāhamihira.

Não é difícil de entender porque lagna e Chandra devem estar bem, pois após o lagna, o segundo elemento mais importante para a prosperidade geral de um jātaka é justamente Chandra. Consequentemente, os senhores tanto do lagna quanto de Chandra também são de suma importância, pois qualquer ponto de um jātaka só vai realmente prosperar quando o seu senhor estiver bem colocado, do contrário seus resultados serão no máximo mistos.

Situações onde esses quatro pontos ou a maior parte deles está em más condições, apontam para fraqueza moral, debilidade física, infelicidade, inquietude mental, tolice, incapacidade de se suceder bem diante de desafios e, no pior dos casos, leva a uma vida obscura ou na qual o indivíduo apenas não realiza nada de significativo e nem atinge qualquer posição notável, seja no âmbito que for. Claro que isso pode ser rebatido por certos yogas ou mesmo pela própria boa disposição dos dispositores destes pontos, como fica claro em yogas como kāhala, parvata e kalpadruma, assim como pela linha de raciocínio fortemente presente no Sarvārtha chintāmaṇi a respeito da importância dos dispositores. Porém, em geral, as condições do lagna, de Chandra e de seus dispositores acabam sendo decisivas, podendo tanto ampliar os resultados dos bons yogas e diminuir as aflições dos maus yogas, como também realizar o contrário.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Sobre porque não usar Urano, Netuno, Plutão, etc.

As vezes me perguntam porque não uso Urano, Netuno e Plutão. Já chegaram até mesmo a me indagar sobre o significado de Quíron no jyotiṣa. Bem, a resposta para isso está na base numerológica/matemática da astrologia. No caso, o número de algarismos matemáticos com os quais compomos todos os números possíveis, até a infinidade, são apenas dez: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9, porém, como 0 representa o conceito de śunya, vazio, ele não é exatamente um número, mas sim a ausência de um número e sua função é apenas facilitar a representação de números maiores como o 10, o 100, o 1000, etc. De maneira semelhante, no jyotiṣa, com apenas nove grahas podemos representar a totalidade de significados possíveis a nossa realidade. Não se faz necessário incluir outros “grahas”, sejam eles trans-saturninos, asteroides ou o que quer que seja, pois não representam nada novo ou fundamental.

No jyotiṣa, os nove grahas estão perfeitamente alinhados com os arquétipos que fundamentam a nossa realidade, sendo um sacrilégio tanto remover um deles quanto também adicionar algum outro “graha”. Para deixar isso mais claro, notem que os grahas são divididos em três grupos: maṇḍala, tāra e chāyā-grahas. Sūrya e Chandra são designados maṇḍala-grahas, pois possuem um amplo disco (maṇḍala) e são, naturalmente, os grahas mais importantes, pois enquanto Sūrya é quem ilumina e lidera a todos os grahas, Chandra é quem reflete o seu brilho sobre a Terra, distribuindo-o de maneira refrescante durante as noites. Assim, Sūrya e Chandra são responsáveis por dar e manter a vida, respectivamente, assim como um pai e uma mãe. São eles também quem presidem o ātman (alma) e a mente (manas), enquanto os tāra-grahas, grahas que se assemelham a estrelas (tāra), Maṅgala, Budha, Guru, Śukra e Śani, presidem os cinco elementos de que o corpo físico é constituído, além de também guardarem relação com os cinco sentidos, cuja interface é a mente (Chandra) e a fonte de vida é a ātmā (Sūrya). Logo, já temos com isso representado todos os corpos: grosseiro (os cinco tāra-grahas), sútil (Chandra) e a ātmā (Sūrya).

Por fim, temos os chāyā-grahas, Rāhu e Ketu, que representam os dois polos da mente, afinal, são nodos lunares. Rāhu tem relação com o bhukti-mārga, o caminho do desfrute e da exploração, enquanto Ketu se relaciona com o tyaga-mārga, o caminho da renúncia e da introspecção. Desta forma, se consideramos os três grupos de grahas conjuntamente, temos todos os elementos necessários para a experiência da realidade material, ou seja, o ātman (Sūrya) que, por intermédio da mente (Chandra), vivifica o corpo de cinco elementos (tāra-grahas) e, então se põem a perseguir um dos dois margas (chāyā-grahas): o do desfrute ou o da renúncia, onde em um ele se enreda no saṁsāra e no outro tem a possibilidade de se libertar de todo tipo de condicionamento material, atingindo assim mokṣa. Isso já não basta? Por acaso há alguma carência na simbologia? Definitivamente não.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Curso em agosto: fundamentos básicos do jyotiṣa

No dia 14 de agosto abrirei uma turma para o curso online de fundamentos básicos do jyotiṣa, focando no método descrito por Varāhamihira em seu Bṛhat jātaka e que foi expandido na Sārāvalī, Phaladīpikā e Jātaka pārījāta, os quais integram os quatro principais textos de jyotiṣa. No entanto, também complementaremos o nosso estudo com outras referências clássicas, tais como o Bṛhat Parāśara horā śāstra e o Sarvārtha chintāmaṇi.
O curso terá extensão de cinco meses e abrangerá os seguintes tópicos:

1. Introdução ao jyotiṣa
2. Karma, reencarnação e destino (daiva)
3. Os doze signos (rāśis) e o āyanāṁśa (precessão dos equinócios)
4. Os nove planetas (grahas)
5. Olhares dos planetas (graha-dṛṣṭis)
6. Avaliando a força dos planetas (graha-bala)
7. As divisões de um signo (vargas)
8. As doze casas (bhāvas)
9. Kendras (1, 4, 7 e 10) & koṇas (5 e 9)
10. Upachayas (3, 6, 10 e 11), dusthānas (6, 8 e 12) & mārakas (2 e 7)
11. Natureza funcional dos planetas para cada ascendente
12. O processo de delineação
13-19. Aulas práticas
20. Pacificação dos planetas (graha-śāntiḥ)

Com este curso, o aluno poderá compreender como a delineação de um mapa deve ser realizada, o que o tornará apto a interpretar um horóscopo a um nível básico ou intermediário, a depender de seu empenho.
Este curso é complementado posteriormente com cursos mais avançados, como o curso que trata dos yogas, o curso sobre os vargas e também o que trata da predição em si, valendo-se das técnicas de daśās e trânsitos.
Interessados no curso devem me comunicar via email (jyotishabr@gmail.com) até no máximo o dia 5 de agosto. O valor do curso é de R$ 1600,00 à vista ou R$ 1750,00 parcelado via PAGSEGURO em até 12x. As aulas são semanais, dadas via Zoom (vídeo-confereência) e serão todas gravadas em áudio para que os alunos possam estuda-las posteriormente, o que é especialmente bom para aqueles que não podem comparecer com regularidade as aulas online. Além disso, o curso inclui PDFs riquíssimos e muitos mapas para exemplificação.
O dia e o horário dos encontros semanais serão combinados com os alunos, já com alguns dias de antecedência do início do curso. Por hora, no entanto, fica estabelecido que o início do curso será no dia 14.08 (quarta-feira) as 20hrs, sendo que nas demais semanas a proposta é manter as aulas nas quartas neste mesmo horário.

Serão incluídas também no curso referências bibliográficas, artigos diversos, outros tipos de materiais complementares ao ensino, grupo no face e um chat (Messenger e Whatsapp) para esclarecimentos de dúvidas. Além disso, enviarei a todos um arquivo contendo os principais textos clássicos em PDF para consultas ao longo do curso.

Obs.: este curso não forma profissionais, mas dá as bases necessárias para aqueles que querem se aprofundar mais no jyotiṣa, algo que também ofereço por meio de outros cursos, mas que demandam a conclusão do curso de fundamentos básicos, primeiramente. Interessados em se profissionalizar devem me contatar, pois assim posso dar informações mais detalhadas a respeito.

oṁ tat sat