segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Curso online em 22.11 sobre sinastria (anukūlya) – comparação de mapas de casais

No dia 22.11 (seg) às 18:30 iniciarei um curso de sinastria (anukūlya) que durará cinco dias. No caso, darei aula de segunda à sexta às 18:30. Cada aula durará 1h30, em média, será online via google meet, incluirá gravação em vídeo do conteúdo (o que isenta aqueles com compromissos marcados de terem que comparecer), PDF detalhado para estudo, grupo no whatsapp para esclarecimento de dúvidas e dezenas de mapas para exemplificação.

No curso, abordarei a sinastria (comparação de mapas de casais) a partir da perspectiva indiana, seguindo as referências clássicas no assunto, as quais serão citadas constantemente. Por meio dessas referências podemos compreender se uma pessoa terá uma boa experiência afetiva ou não, se ela se casará, se ficará viúva etc. Isso é realizado, basicamente, em duas etapas: (1) pelo estudo do mapa individual, e (2) pela conjugação de mapas, ou seja, o estudo comparado dos mapas das pessoas envolvidas no relacionamento ou que anseiam por esse.

A primeira etapa é a mais importante, pois ela é que estabelece os limites e características gerais da experiência afetiva, ao passo que o segundo é um estudo condicional ao que o primeiro indica, pois uma sinastria, ou conjugação de mapas, não pode sobrepor as promessas iniciais indicadas pelo estudo individual desses. Logo, é essencial que saibamos, antes de mais nada, como avaliar um horóscopo de maneira individual, para só depois investigarmos as configurações conjugadas entre mapas.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Cursos online de astrologia indiana para o segundo semestre de 2021 - inscrições vão até 10 de julho

Abrirei no mês de julho vagas para os meus três cursos online de Parāśarī jyotiṣa, de nível I, II e III, e também para o curso de introdução ao Jaimini jyotiṣa. No caso do curso de Parāśarī, o curso de nível I é o de fundamentos básicos do jyotiṣa, o de nível II é o curso de yogas, as configurações dos grahas, enquanto o de nível III é o de técnicas preditivas como daśās, trânsitos e revolução solar (varṣaphala).

A data máxima para inscrição vai até o dia 10 de julho, portanto, os interessados devem me contatar até lá via e-mail (jyotishabr@gmail.com), ou whatsapp (12996242742).

Abaixo dou maiores informações sobre cada um dos cursos separadamente, o que inclui valores:

 

NÍVEL I - FUNDAMENTOS BÁSICOS DO JYOTIṢA

Esse curso é focado no método descrito por Varāhamihira em seu Bṛhat jātaka e que foi expandido na Sārāvalī, Phaladīpikā e Jātaka pārījāta, os quais integram os quatro principais textos de jyotiṣa. No entanto, também complementaremos o nosso estudo com outras referências clássicas, tais como o Bṛhat Parāśara horā śāstra e o Sarvārtha chintāmaṇi.

O curso tem extensão de cinco meses e abrange os seguintes tópicos:

1. Introdução ao jyotiṣa

2. Karma, reencarnação e destino (daiva)

3. Os doze signos (rāśis) e o āyanāṁśa (precessão dos equinócios)

4. Os nove planetas (grahas)

5. Olhares dos planetas (graha-dṛṣṭis)

6. Avaliando a força dos planetas (graha-bala)

7. As divisões de um signo (vargas)

8. As doze casas (bhāvas)

9. Kendras (1, 4, 7 e 10) & koṇas (5 e 9)

10. Upachayas (3, 6, 10 e 11), dusthānas (6, 8 e 12) & mārakas (2 e 7)

11. Natureza funcional dos planetas para cada ascendente

12. O processo de delineação

13-19. Aulas práticas

20. Pacificação dos planetas (graha-śāntiḥ)

Com este curso, o aluno poderá compreender como a delineação de um mapa deve ser realizada, o que o tornará apto a interpretar um horóscopo a um nível básico ou intermediário, a depender de seu empenho.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Como progredir nos estudos de jyotiṣa?

Tenho uma fórmula muito boa para quem deseja progredir no estudo do jyotiṣa. O primeiro passo é se informar se você possui boas configurações para isso no seu mapa, o que é muito importante. O segundo passo é estudar algum texto contemporâneo que dê uma boa introdução ao tema, como é o caso do Light on Life do Robert Svoboda & Hart de Fouw, o Elements of vedic astrology do Dr. K. S. Charak, o How to judge a horoscope do B. V. Raman ou o Learn hindu astrology easily do K. N. Rao.

O terceiro passo é adentrar os clássicos, idealmente sob a orientação de algum professor que possa te ajudar a abreviar a sua passagem pelas sentenças conflituosas da literatura e iluminar os significados de certas técnicas e conceitos. Inicialmente é importante focar apenas em um professor e, depois, adquirindo mais discernimento, a pessoa também pode aprender com muitos outros sem acabar confusa. O professor te dá um atalho de anos e pode poupar muito desgaste desnecessário nos seus estudos. Porém, é preciso buscar alguém que ensine de acordo com os clássicos. O problema é que para saber se ele realmente procede dessa forma você terá não só que exigir referências como também estudar a literatura clássica. Pois então, quais textos seriam importantes? Existem inúmeros, mas quatro deles são fundamentais na tradição, de acordo com os pāṇḍitas (eruditos) em jyotiṣa. O primeiro texto é o Bṛhat jātaka (séc. VI) de Varāharamihira, o segundo é a Sārāvalī (séc. X) de Kalyāna Varma, o terceiro é a Phaladīpikā (séc. XV) e o quarto é o Jātaka pārījāta (XV). O já póstumo Madhura Krishnamurthy Shastry, um pāṇḍita muito respeitado do jyotiṣa, classificou o Bṛhat jātaka e a Sārāvalī como textos de yavana jyotiṣa, o jyotiṣa que possui mais características yavanas (estrangeiras) e cujo primeiro modelo textual foi o Yavana jātaka (séc. II) de Sphujidhvaja. No caso, o Bṛhat jātaka é uma versão mais concisa de yavana jyotiṣa, enquanto a Sārāvalī é uma versão bem mais extensa, com descrições elaboradas dos grahas nas casas, signos, das conjunções e vários outros fundamentos.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Suicídio é algo externo as promessas do mapa?

O suicídio é algo que faz algumas pessoas pensarem: “Bem, isso o mapa não revela”, mas não, o suicídio também faz parte das promessas de um mapa. Todas as coisas negativas que vivenciamos, na verdade, são resultantes de vikarma, as ações impiedosas realizadas em vida pregressa. Essas ações, basicamente dão força aos cinco kleśas (aflições): avidya (ignorância), asmita (egoísmo), raga (apego), dveśa (aversão) e abhiṇiveśa (medo da morte/absorção no corpo). No caso do suicídio, ele é perpetrado quando a consciência está predominada por esses kleśas, ou seja, ela adquire uma expressão tamasika (obscura e ignorante), que leva ao ato de atentar contra a própria vida.

Todos os casos de suicídios que estudei apresentam padrões similares, que também aparecem em outros casos envolvendo mortes violentas ou que não são naturais. Porém, há um elemento distintivo em relação aos casos de suicídio: eles costumam estar acompanhados de unmada yogas, configurações de insanidade/desequilíbrio psicológico. Essas configurações podem ser Chandra (Lua) severamente aflita, krūra-grahas (maléficos) em koṇas (5-9), aflições a cinco e seu regente, etc.

sábado, 17 de abril de 2021

Regências e dignidades para Rāhu e Ketu

Em Jaimini, no contexto do cálculo das daśās e também para a determinação da longevidade, considera-se que Rāhu e Ketu teriam regências. Rāhu seria o regente de aquário, enquanto Ketu, de escorpião. Isso é citado por Raghavabhāṭṭa em seu Jātaka sāra saṅgraha, além de aparecer também no Vanchināthīyam e no Vṛddha kārikā, que é a principal referência para compreender o Upadeśa sūtra de Jaimini.

Essa ideia, no entanto, não é aplicada no contexto da interpretação do mapa. Isso é algo que todo praticante de Jaimini que tenha estudado esses textos sabe, pois diferente de Parāśara jyotiṣa, em Jaimini nós não temos apenas textos que instruem sobre técnicas, mas também textos que dão exemplos práticos com mapas reais. Como nenhum dos exemplos práticos incorpora as regências de Rāhu e Ketu para interpretação e como os autores que citam o conceito não instruem que ele deve ser aplicado no contexto da interpretação, fica claro que a ideia é limitar a técnica a situações específicas. Isso também foi seguido por autoridades recentes, como Iraganti Rangācharya, Madhura Kṛṣṇamūrti, etc.

Inclusive, outra questão interessante é que em Jaimini, considera-se que Ketu se exalta em leão e se debilita em aquário, enquanto Rāhu se exalta em escorpião e se debilita em touro. Essa visão é corroborada pelas mesmas fontes que citei aqui, sendo que há ainda uma tradução do Jātaka sāra saṅgraha que inverte essas dignidades de Rāhu e Ketu, algo que não aparece nos outros textos. Porém, devo admitir que eu não acredito no uso de dignidades para os nodos, já que na literatura de jyotiṣa além de haver muitas discordâncias sobre o assunto, há também um enorme número de astrólogos clássicos que, assim como eu, não consideram dignidades ou mesmo regências para os nodos.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Vaiśeṣikāṁśas e o mapa de Johannes Kepler


Os vaiśeṣikāṁśas ou divisões de excelência, levam em conta o número de vargas em que um graha ocupa suas dignidades, ou seja: uccha (exaltação), mūlatrikoṇa e svakṣetra (domicílio). Para cada varga que um graha ocupe tais divisões, um ponto lhe é acrescentado. De acordo com o número de divisões que um graha obtém, determinados títulos lhe são conferidos. Os efeitos do mesmo podem ser interpretados com base nesses títulos. Tal técnica aparece pela primeira vez entre os séculos VI e VIII, no Bṛhat Parāśara horā śāstra, ao que tudo indica. Os vaiśeṣikāṁśas também aparecem na Phaladīpikā, no Jātaka pārījāta e no Sarvārtha chintāmaṇi, os quais usavam daśavarga, ou seja, dez vargas para a análise de vaiśeṣikāṁśa: rāśi, horā, drekkāṇa, saptāṁśa, navāṁśa, daśaṁśa, dvadāśāṁśa, ṣoḍaśāṁśa, triṁśaṁśa e ṣaṣṭyāṁśa. 

Os títulos que um graha ganha quando ocupa de dois a nove vargas próprios são pārījātāṁśa, uttamāṁśa, gopurāṁśa, siṁhāsanāṁśa, parvatāṁśa, devalokāṁśa, suralokāṁśa e airavatāṁśa. O décimo varga, o ṣaṣṭyāṁśa, não compreende signos em suas divisões, mas sim divindades, logo, não há como um graha deter dignidade no mesmo, daí de só haver nove vaiṣeśikāṁśas possíveis, invés de dez.

Alguns exemplos de ślokas clássicos que citam os vaiṣeśikāṁśas são:

"O indivíduo será devotado a ontologia se Júpiter ocupar um kendra ou koṇa sob o olhar de Mercúrio e Vênus, enquanto Saturno detém paravatāṁśa (Jātaka pārījāta, 11.85)." 

"Quando Júpiter ocupa um kendra, Vênus detém siṁhāsanāṁśa e Mercúrio, sendo senhor do navāṁśa ocupado pelo senhor de dois, detém gopurāṁśa, o indivíduo será proficiente nos seis vedāṅgas - śikṣā, chandas, vyākaraṇa, nirukta, kalpa e jyotiṣa (JP, 11.86)." 

"Se o senhor da dois detém gopurāṁśa e Vênus parvatāṁśa, todos aqueles que viverem sob a proteção do indivíduo prosperarão e serão felizes (JP, 11.87)." 

"O senhor da cinco em uma casa auspiciosa e a deter vaiśeṣikāṁśa faz do indivíduo inteligente e sincero (Phaladīpikā, 16.15)." 

"Se o Sol detém devalokāṁśa e o lagneśa está forte, enquanto o senhor da nove ocupa a sua exaltação, o indivíduo será famoso e afortunado (Sarvātha chintāmaṇi, 02.71)." 

domingo, 11 de abril de 2021

A qualificação mais importante de um astrólogo

Ao longo dos tratados clássicos de jyotiṣa encontramos menções diversas das qualificações necessárias para a prática dessa arte. Porém, se formos resumir o que é realmente importante para ser um jyotiṣī, a resposta é satyaṁ (veracidade). A veracidade é uma qualidade própria dos brāhmaṇas, aqueles que se inclinam ao conhecimento e à pureza. O grande Chandulal S. Patel, certa vez, ao ser indagado sobre o que um jyotiṣī deveria fazer para ser bem-sucedido em suas predições, respondeu apenas o seguinte: “Falar sempre a verdade”.

Parece simples, mas não é. Pois facilmente podemos comprometer a verdade visando os nossos próprios interesses. Porém, um brāhmaṇa é sempre veraz, mesmo que isso desagrade a muitos e o torne impopular. Dinheiro, fama e seguidores, para um brāhmaṇa não tem valor algum se envolvem comprometer a verdade. Isso é o que faz dele um indivíduo de essência sincera e idealista.

Politicagem, promoção pessoal, utilização de meios artificiais para obter reconhecimento, dinheiro e seguidores, assim como manipulação são coisas que um brāhmaṇa não se dedica a realizar. Logo, como ele ganha a vida? Simplesmente se devotando com afinco ao estudo de uma disciplina intelectual e compartilhando o conhecimento que possui, sem estratégias de marketing, acordos e coisas similares. Se o conhecimento que ele possui é realmente sólido, as pessoas naturalmente irão lhe procurar. Não há necessidade de recorrer a métodos comerciais de divulgação pessoal. A única coisa que o brāhmaṇa precisa é de um meio ou espaço no qual ele poderá expor o seu conhecimento, que sendo refulgente por si só, naturalmente atrairá aqueles que buscam esclarecimento.