quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Curso online em janeiro sobre daśās, trânsitos e revoluções solares (varṣaphala)

Podemos resumir o estudo de um mapa em duas fases: delineação, que envolve o estudo e a determinação das promessas do mapa, e predição, que envolve prever quando trais promessas se manifestação. No caso, para prever, um astrólogo faz uso de técnicas que trabalham com um tempo simbólico, as daśās, e técnicas que lidam com o tempo real, ou seja, os trânsitos (gochara) e revoluções solares (varṣaphala), com os quais se pontua o momento mais aproximado de manifestação dos eventos indicados pelas daśās.

Agora em janeiro estarei dando início a um curso online focado justamente nessas técnicas preditivas, ou seja, daśās, trânsitos e revoluções solares. Trata-se de um curso mais avançado e que, portanto, demanda o conhecimento básico de delineação, uma vez que antes de prever, precisamos saber delinear bem um horóscopo.

Os temas que serão abordados no curso são:

1. Udu daśās (viṁśottarī, yogini e outras)
2. Graha-phala (os resultados das daśās)
3. Daśā & bhukti (como prever usando períodos maiores e menores)
4. Yoga-daśā-phala (determinando quando os yogas darão seus frutos)
5. Māraka-daśā-phala (determinando o momento da morte ou fases difíceis para a saúde)
6. Gochara (trânsitos)
7. Aṣṭakāvarga
8. Varṣaphala (revolução solar)
9. Prevendo eventos
10-16. Aulas práticas

O curso será dado via Zoom, compreende gravações em áudio das aulas e PDFs para estudo que serão enviados por email juntamente de mapas para exemplificação e estudo. O valor do curso é de R$ 1500,00 à vista, podendo também ser parcelado em até 12x via PagSeguro. Sua duração é de quatro meses, ou seja, teremos uma aula por semana, começando no dia 16 de janeiro (quinta-feira) e mantendo as aulas durante as quintas, às 19hrs. Porém, formada a turma, posso rever os dias e horários, de forma que fique confortável para todos.

Como as aulas serão gravadas, não é necessário que todos estejam presentes na aula online. Logo, esse é um curso que não impossibilita a participação daqueles que não poderiam comparecer as aulas, uma vez que terão acesso as gravações semanais para poderem estuda-las no seu próprio tempo.


Interessados devem me contatar via e-mail (jyotishabr@gmail.com) ou whatsapp (12996242742) até no máximo o dia 10 de janeiro, que é a data limite para o pagamento.

oṁ tat sat

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Trânsitos de dezembro de 2019

Em dezembro, ocorrem os seguintes trânsitos:

04.12 Mercúrio ingressa escorpião.
11.12 ocorre um apasavya-graha-yuddha entre Vênus e Saturno à 24º de sagitário, com Vênus sendo o vencedor.
15.12 Vênus ingressa capricórnio.
16.12 dhanu-saṁkrānti (Sol ingressa sagitário).
25.12 Mercúrio ingressa sagitário e Marte ingressa escorpião.
26.12 ocorre um eclipse solar anular à 10º de sagitário.
27.12 ocorre uma conjunção entre Sol e Júpiter à 11º de sagitário.

Algumas das minhas inferências sobre essas configurações são:

(1) O signo de sagitário segue bastante ativo ao longo do mês, com Júpiter, Saturno, Vênus e Ketu o ocupando, sendo que Vênus sai de sagitário no dia 15, mas já no dia seguinte temos o ingresso do Sol no signo, e no dia 25 Mercúrio é que ingressa sagitário. No dia 26 teremos um eclipse solar anular também em sagitário, seguido no dia 27 de uma conjunção exata entre o Sol e Júpiter.

O que se deve notar, nesse caso, é o que sagitário representa no seu próprio mapa. Pois sem dúvida esses temas serão ativados, especialmente se estiver vivendo o período de algum dos grahas que estarão transitando o signo. Desses, Júpiter é naturalmente o mais importante, por ser o senhor do signo e, portanto, o dispositor de todos os demais que o transitam. Inclusive, como Júpiter fica combusto em boa parte do mês, note como isso afetará de forma negativa os temas a que ele se relaciona em seu mapa natal, especialmente porque isso se somará as conjunções com Saturno e Ketu, dois maléficos.

Um exemplo ilustrativo, envolvendo alguém cujo ascendente é touro, seria o de um problema envolvendo a família da esposa, os recursos dela ou mesmo uma doença se desenvolvendo ao longo desse período, afinal a configuração se daria no oitavo signo com uma confluência maléfica reforçada ainda pelo eclipse solar e a combustão do senhor do oitavo signo. Porém, esse também pode ser um indicativo de heranças ou obtenção de outros benefícios envolvendo recursos de outras pessoas, o que só pode ser definido a partir das próprias especificidades do mapa, obviamente.

Outro exemplo seria o de alguém cujo ascendente é áries, com a configuração se dando no nono signo. Nesse caso, algum tipo de problema envolvendo o relacionamento do indivíduo com seus professores ou mesmo um problema para um de seus professores ou a uma pessoa mais velha de sua família pode se dar. Talvez, inclusive, nem seja o caso de algo negativo ser ativado, mas sim algo positivo em meio a circunstâncias mais árduas ou agitadas, uma vez que nem sempre a ativação de um tema carrega consigo uma temática negativa simplesmente por envolver os maléficos. Isso se dá porque a condição dos planetas no mapa natal modifica os efeitos desses em seus trânsitos, isso para não falar também de como suas regências modificam o impacto que geram em um trânsito, ou como a própria daśā vigente é importante, uma vez que prioriza certas coisas.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Signos inteiros, casas iguais ou quadrantes? O que adotar?

Os primeiros livros de astrologia de que temos notícia não diferenciam signos de casas. Seja na tradição helenística ou indiana, a ideia é a mesma: uma vez determinado o signo ascendente, o segundo signo tratará dos temas de dois, o terceiro dos temas de três, e assim por diante. Não importa se o ascendente está a 29º de um signo, todo o signo representará os temas do ascendente, enquanto a mesma ideia se aplica aos demais signos.

Esse sistema, denominado “signos inteiros” ou whole-sign houses (WSH) era o padrão vigente até o século IX. Não que os astrólogos do passado não sabiam ou não usavam os sistemas de casas iguais (bhāva-chakra) ou de quadrantes (bhāva-chalita), na verdade eles já tinham conhecimento desses sistemas, mas não parece que nessa época os tópicos eram atribuídos as casas calculadas matematicamente com base nas divisões terrestres. Os tópicos pertenciam aos signos, ao passo que os sistemas de casas, especialmente o de casas iguais, mostraria o quão eficiente um graha seria em manifestar os temas indicados pelo signo que ele ocupava, conforme sua distância da cúspide da casa. Além disso, há exemplos de alguns usos bem específicos dos sistemas de quadrantes na tradição helenística, o que limitaria sua aplicação apenas para contextos bem definidos, ou seja, eles não seriam usados para determinar tópicos.

Um exemplo pode tornar as coisas mais claras: suponhamos que alguém possua Maṅgala (Marte) em leão e o seu signo ascendente seja virgem. No caso, Maṅgala ocupa o décimo-segundo signo a partir de virgem, o ascendente, logo ele trata dos temas de doze. Mas se em um sistema de casas como o bhāva-chakra ou o bhāva-chalita esse Maṅgala desliza para a casa seguinte ou anterior, ele continuará a falar sobre os temas de doze, mas com uma capacidade de impacto sobre tais temas já reduzida. Alguns diriam que Maṅgala, nesse caso, falaria sobre ambos os temas, os da décima-segunda e também da outra casa ocupada por quadrante (bhāva-chalita) ou divisões iguais (bhāva-chakra). Mas, eu particularmente cheguei à conclusão de que, embora isso tenha sua lógica, acaba que torna as coisas mais complicadas e, por sinal, não sou só eu quem pensa isso, muitos outros astrólogos, dedicados ao jyotiṣa ou mesmo a astrologia helenística, em particular, optam por usar signos inteiros para determinar os tópicos a que um graha se refere.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Curso em dezembro: princípios para interpretações detalhadas das casas (bhāvas)

Em dezembro, nos dias 11 e 12, estarei dando um curso online, via Zoom, sobre bhāva-vichara, deliberações sobre as casas. Nessas duas aulas abordarei mais de trinta princípios clássicos de bhāva-vichara, os quais serão exemplificados em dezenas de mapas.

Por exemplo, quando um graha rege uma casa positiva e outra negativa, se ele estiver em más condições, os resultados de sua casa negativa ganharão força, ao passo que em boas condições os efeitos de sua regência positiva é que prevalecerão.

Outra regra é de que, mesmo que um graha esteja forte, se ele ocupa um dusthāna, seus resultados serão medíocres, enquanto que um graha, mesmo fraco, se ocupa um ângulo ou koṇa, inegavelmente manifestará seus resultados.

Esses são alguns exemplos de princípios sensíveis e que fazem grande diferença em uma delineação. Todas essas regras tem a sua base nas deliberações dos astrólogos do passado e, após tê-las testado, decidi compila-las de forma a gerar assim uma metodologia eficiente para a análise dos bhāvas.


No curso, ensinarei inclusive como fazer uso de uma tabela de consulta que ajudará o estudante a não se esquecer desses inúmeros princípios de bhāva-vichara.

Interessados devem me contatar via e-mail (jyotishabr@gmail.com) ou whatsapp (12996242742) para reservar suas vagas. O prazo máximo para inscrição é o dia 7 de dezembro e o valor das duas aulas é de R$ 400,00, o que também pode ser parcelado no cartão em até 12x via PagSeguro. O curso inclui gravações em áudio dos encontros, PDF, tabela para consulta e dezenas de mapas para exemplificação.

oṁ tat sat

sábado, 2 de novembro de 2019

Trânsitos de novembro de 2019

Neste mês de novembro, os ingressos e trânsitos que chamam a atenção são os seguintes:

04.11 Júpiter ingressa sagitário.
07.11 Mercúrio ingressa libra, retrógrado.
10.11 Marte ingressa libra.
16.11 vṛśchika-saṁkrānti (Sol ingressa escorpião).
20.11 a retrogradação de Mercúrio cessa à 20º de libra e Vênus ingressa sagitário.

Disso, noto o seguinte:

(1) Logo no início do mês, Júpiter ingressa sagitário, seu próprio signo, onde permanecerá até março de 2020, para então retrogradar de capricórnio à sagitário em 29 de junho, onde permanecerá até 20 de novembro, data em que deixa definitivamente o signo de sagitário.

Como esse é o trânsito de um graha lento, ele é muito relevante para a realização de predições. No caso, indivíduos cujo ascendente é áries, gêmeos, leão, virgem, escorpião, sagitário, aquário e peixes tendem a ser especialmente beneficiados por esse trânsito, enquanto os demais (touro, câncer, libra e capricórnio) terão Júpiter transitando a três, seis, oito ou doze do lagna, o que torna esse um trânsito potencialmente negativo.

Quando Júpiter efetiva um trânsito positivo, isso assegura oportunidades, saúde, conforto, felicidade, novas aquisições, progresso na carreira, nos estudos e viagens. Em contrapartida, os seus trânsitos negativos são potencialmente capazes de trazer medo, preocupação, problemas de saúde, perda de status, muitas despesas, desânimo, falta de oportunidade, obstruções nos estudos, desarmonia no lar, etc. Desses trânsitos, o de Júpiter pela três tem um potencial especial de desgastar a saúde, desde que outros fatores, como a daśā vigente e os demais trânsitos, corroborem isso.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Astrologia: sistema ou método?

Definir a astrologia como um sistema preditivo é algo comum. Usamos a palavra “sistema” a torto e a direito para se referir a esse vidyā, porém, se analisamos a palavra “sistema” cuidadosamente, então isso nos leva a perceber que a astrologia não é e nunca será um sistema.

A definição de um sistema envolve justamente previsibilidade absoluta. Trata-se de um processo com começo, meio e fim bem definidos e perfeitamente funcionais, características essas que a astrologia como um todo (seja a indiana, ocidental, chinesa, etc.) não tem e, é justamente por isso que pesquisas, replicações estatísticas e outras metodologias similares não funcionam tão bem na astrologia. Mas afinal, isso a torna uma disciplina fajuta e enganosa? A resposta é um sonoro NÃO! Pois a astrologia, embora use muito da matemática, não é em si uma disciplina linear e perfeitamente matemática. Ela é bem mais complexa que isso, daí também de jamais podermos defini-la como ciência na acepção moderna da palavra[1].

Se procuramos realizar uma pesquisa sobre uma configuração específica, um yoga, por exemplo, vamos nos deparar com casos completamente distintos entre si. Posso dizer, inclusive, que replicar um yoga raramente funciona. O número de variações possíveis para um mesmo yoga são gigantescas, mas ainda sim, mensuráveis. Logo, se fosse só esse o problema, então isso não seria lá um obstáculo intransponível, especialmente para yogas mais simples. 

Na verdade, a grande fonte dos problemas da astrologia está no fato de que nenhuma configuração existe à parte de outras, da mesma forma que alguém não pode isolar por completo o funcionamento de um braço, uma vez que esse está atrelado ao corpo como um todo e depende desse para funcionar, afinal, todos os tecidos de que um braço é composto são preservados pelo processo digestivo, seus movimentos dependem do sistema nervoso, que por sua vez está ligado ao cérebro, etc. Quando transpomos essa mesma realidade para a astrologia, então o número de configurações de suporte ou mesmo de nulificação para um mesmo yoga tornam-se infindáveis! Daí de ser impossível ou no mínimo utópico tornar a astrologia um sistema, do contrário, já teríamos softwares realizando delineações e predições de sucesso e não dependeríamos do astrólogo em si, bastaria que alguém descobrisse uma forma de sistematizar esse conhecimento. Logo, que fique claro: a astrologia não é um sistema.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Mantras e stotras

Nos jyotiṣa-śāstras há vários tipos de mantras e stotras recomendados para se pacificar os grahas. Inclusive, dentre todos os tipos de upāyas, nenhum é superior a mantra-japa, que mesmo na Gītā é elogiado como o maior de todos os yajñas (sacrifícios espirituais)[1]. Isso se deve ao fato de que os mantras tem a capacidade de libertar (trayate) a mente (manas) de suas aflições, como já está implícito na própria palavra mantra. Além do que, não existe nada dentro da realidade material mais sutil do que o som, o qual é um produto do ākāśa (éter/espaço), o primeiro dos elementos materiais e, portanto, aquele que mais está próximo da realidade transcendental.

Os mantras que encontramos menção nos clássicos de jyotiṣa são o mahāmṛtyunjaya, Viṣṇu sahasrānāma, Śiva sahasrānāma, Śrī Śrī Chaṇḍi path, Śrī sūkta, gāyatrī mantra, saṁtāna Gopāla mantra, śāntiḥ sūkta, Ādityā hṛdaya path, Durgā saptaśati path, assim como também japa de outros mantras dedicados à Śiva, Durgā, Lakṣmī e Viṣṇu ou mesmo aos navagrahas, sendo que esses últimos são conduzidos junto a uma cerimônia elaborada de hāvana (sacrifício de fogo), geralmente.

A verdade, no entanto, é de que não é necessário mudar a prática do mantra conforme o período que o indivíduo vivencia. Claro que há mantras com propósitos bastante específicos, mas há aqueles cujo propósito é absoluto, tais como o oṁkāra e harināma, portanto, basta que haja fé no mantra e na forma da Divindade a ele relacionada para que o indivíduo obtenha aquilo de que precisa. Um vaiṣṇava, por exemplo, invés de se recitar mantras dedicados aos devas e devīs, depositará a sua fé completamente em harināma, enquanto que um śaiva fará o mesmo em relação ao pañchākśarī Śiva mantra, um śakta, em relação aos mantras dedicados à Śakti, etc. Logo, o melhor é que cada um basicamente se fixe na sua própria adoração, consciente de que o seu iṣṭa-deva (divindade adorável) haverá de lhe prover toda a proteção e suporte necessário. Isso, no entanto, demanda śraddhā (fé) e uma conexão sincera com algum tipo de upāsana (disciplina tradicional), uma vez que guiar-se a partir das próprias especulações mentais nunca é uma opção inteligente.

oṁ tat sat 



[1]yajñanam japa-yajño ‘smi...”, Bhagavad gītā, 10.25