quarta-feira, 9 de julho de 2014

Quando maléficos olham suas próprias casas

Já vi algumas pessoas reagirem com perplexidade com relação ao dito de que um maléfico olhando sua própria casa a protege, porém isso é real, e o próprio Parāśara o menciona como um dos quatro pilares para a sustentação e prosperidade de uma casa[1]. Mas não só Parāśara o menciona como também todos os autores clássicos concordam com isso. Kalyāna por exemplo diz o seguinte em seu Sārāvalī:

          “Se um planeta olha o ascendente sendo este seu próprio signo, isso confere felicidade e riquezas, além de relações íntimas com o rei (pessoas importantes).' – 34.8”

          Portanto, se o ascendente for áries, leão, escorpião, capricórnio ou aquário e seus senhores influenciarem o ascendente protegerão a saúde, a inteligência, favorecerão o êxito, conferirão felicidades e progresso em geral, independentemente de serem maléficos naturais. Obviamente, com isso o planeta não deixa de trazer à tona seus resultados naturais a casa, porém isso não destruirá a mesma. A destruição de uma casa ocorre quando ela não é influenciada por benéficos, especialmente Mercúrio e Júpiter, ou pelo seu senhor[2], e ao invés disso recebe as influências de maléficos ou de planetas inimigos. Por exemplo, se touro reside na segunda casa e não recebe a influência de Júpiter, Mercúrio ou de Vênus, mas sim de Marte e do Sol (inimigo de Vênus), então isso causará problemas financeiros, familiares e um discurso ríspido e autoritário que será fonte de conflitos. Problemas na garganta, nos olhos, cortes, queimaduras no rosto também são algumas possibilidades. O contrário se dá caso Mercúrio, Júpiter ou Vênus influenciem touro, pois nesse caso haverá progresso financeiro, felicidade familiar, obtenção de confortos e uma fala inteligente e agradável.

domingo, 1 de junho de 2014

Jyotisha no Facebook

Venho me dedicando a realizar postagens sobre Jyotisha no Facebook já a algum tempo. Hoje mesmo postei um link para download da tradução do Sol nas 12 casas de acordo com Bhrigu Sutras. A tradução foi feita por uma aluna minha do curso introdutório de Jyotisha. Interessados em acompanhar meu trabalho e aprenderem mais em Jyotisha basta me adicionar clicando aqui.

Recentemente também foi postado o link da tradução do capítulo do BPHS que aborda os 144 Yogas que são a posição dos 12 regentes das casas em cada um das 12. Essa tradução também foi realizada pela Mariangela Baenninger.


Radhe Syam

domingo, 25 de maio de 2014

Os nomes dos grahas

Os planetas são designados por meio de diferentes nomes, os quais guardam consigo significados expressivos quanto a natureza desses. Abaixo listo alguns desses nomes de acordo com dois textos clássicos, o Horā sārā (HS) de Pṛthuyaśas e o Jātaka pārījāta (JP) de Vaidyanātha.

Sūrya (Sol)
HS: Āditya (pertencente ou proveniente dos Ādityas; o filho de Āditī), Ārka (pertencente ou relativo ao sol), Ravi (sol; canal direito do corpo por onde o prāṇa se move), Bhāskara (brilhante; ouro), Divākara (aquele que é a causa do dia), Mārtāṇḍa (um pássaro), Savita (vem de savitṛ que significa vivificador), Sūrya, Tīkṣṇāṃśu (que possui raios quentes) e Ina (glorioso; poderoso; corajoso, determinado; senhor).

JP: Heli (similar a Helyum, o deus sol dos gregos), Tāpana (que ilumina, queima e causa dor), Dinakartṛ (que gera o dia), Bhānu (mestre; esplendor), Pucha e Aruṇa (vermelho; rubi; alvorecer).
  
Chandra (Lua)
HS: Chandra, Śaśāṇka (tímida), Vidhu, Soma, Niśākara (aquele que causa a noite), Sitāṁśu (com raios frescos e agradáveis), Udunātha (senhor das estrelas - nakatras) e Indu.

JP: Soma (néctar, pode referir-se também a planta soma), Sitadyuti (de um brilho puro), Uḍupati (senhor das estrelas, semelhante a Udunātha), Glou (lâmpada arredondada, cânfora), Indu (noite) e Chandra (brilhante).
  
Maṅgala (Marte)
HS: Ārā (serra), Vakra (que segue em movimento retrógrado, também pode significar torto), Mahīja (nascido da terra), Rudhira (sangue), Rakta (carmesim), Aṅgāraka (carvão) e Krūradṛś (de um olhar terrível).

JP: Ārā, Vakra, Kśitija (filho da terra, como Mahīja), Rudhira, Aṅgāraka e Krūranetra (tem o mesmo significado que Krūradṛś).

Budha (Mercúrio)
HS: Saumya (gentil), Vid (compreensão), Jña (consciência, conhecimento), Budha (sábio, desperto), Somaja (filho de Soma), Bodhana (instruir, ensinar), Kumāra (menino, príncipe) e Vidhusuta (outro nome para designá-lo como filho de Chandra).

JP: Saumya, Budha, Vid, Bodhana e Induputra (filho de Indu, sendo Indu outro nome de Chandra).

Guru (Júpiter)
HS: Jīva (vida), Aṅgīrasa (descendente de Aṅgīra, um sábio), Suraguru (guru dos piedosos), Mantṛ (conselheiro), Vāchaspati (senhor da fala), Ārya (Ārya é o melhor, aquele que segue o dharma), Bṛhaspati (guru dos Devas), Sūri (homem culto, pensador) e Vāgīśa (eloquente, um poeta, mestre em línguas).

JP: Mantṛ, Vāchaspati, Guru (que remove a escuridão da ignorância com a luz do conhecimento), Surāchārya (é como Suraguru, mas em vez de guru, ele é chamado de āchārya, aquele que ensina com o seu exemplo), Daivejya (professor dos devas) e Jīva.

Śukra (Vênus)
HS: Bhṛgu (refere-se ao sábio Bhṛgu Muni), Bhṛgusuta (filho de Bhṛgu), Sita (puro, branco, pálido), Uśanā (dotado de desejos), Daitya Pūjya (venerado pelos demônios), Kāvya (poeta) e Kavi (sensato, sábio).

JP: Śukra (puro, brilhante, sêmen), Kāvya, Sita, Bhṛgusuta, Accha (que não é escuro, mas transparente) e Dānavejya (mestre dos dānavas – demônios).

Śani (Saturno)
HS: Manda (preguiçoso, inativo), Śani (lento, ouro), Kṛṣṇa (negro, escuro), Sūryaputra (filho de Sūrya), Yama (restrição, limites), Paṅgu (manco), Śanaiśchara (que caminha ou se move lentamente), Sauri (refere-se a Saturno), Kāla (tempo) Chāyāsuta (filho da sombra).

JP: Chāyā (sombra), Sūnu (aquele que incita), Taraṇī tanaya (filho de Sūrya – Taraṇī), Koṇa (canto, ângulo), Śani, Ārki (filho ou descendente de Sūrya que é chamado também de Ārka) e Manda.

Rāhu
HS: Tamas (o modo da ignorância e da inércia), Asura (aquela que não tem luz, ou auspiciosidade, um demônio), Svarbhānu (o Asura que roubou o néctar dos Devas), Vidhuntuda (que perturba a Lua), Pāta (que está decaindo), Saiṁhikeya (descendente de Siṁhikā), Bhujaṇga (serpente, cobra) e Ahi (equivalente a Sarpa que também significa cobra).

JP: Sarpa (outro nome para designar uma cobra), Asura, Phaṅin (dotado de capelos), Tamas, Saiṁhikeya e Agu (pobre, destituído de raios).

Ketu
HS: Sikhi, Dhvaja (bandeira), Dhūma (fumaça, santo) e Mṛtyuputra (filho da morte).

JP: Dhvaja, Sikhi e Ketu (bandeira).

Om Tat Sat

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Yoga & Dasha

O que diferencia a Jyotisha de outros métodos astrológicos é sua ênfase em uma análise baseada em Yoga e Dasha. O astrólogo versado no método hindu se vale da análise dos diferentes Yogas presentes em um mapa e por meio dos Dashas vê quando estes irão dar seus resultados. Esta análise sistemática torna muito mais fácil não só interpretar um mapa como também dar o timming pra cada uma das promessas deste.
          Para facilitar a determinação dos efeitos dos planetas em um mapa, os sábios dividiram os Yogas em diferentes classificações como Raja (que conferem eminência), Dhana (conferem riqueza), Arishta (conferem misérias), Parivrajya (conferem asceticismo e renúncia) etc. Os planetas também são divididos entre os regentes de Kendras (ângulos), Konas (5, 9), Upachayas (3, 6, 10, 11), Dushtanas (6, 8 e 12) e Marakas (2, 7). Assim, conforme o período operante em um dado mapa e conforme a classificação do planeta como regente de Kendra, Kona etc e os Yogas que este forma com os demais planetas, podemos determinar que tipo de efeitos este gerará e o que ao certo isto afetará de acordo com a casa em questão.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Nakṣatras de acordo com o Nārada Purāṇa

Os nakṣatras são de imprescindível importância na definição do caráter de um nativo, pois vemos que de certa forma todo o mapa costuma se harmonizar e convergir para aquele determinado nakṣatra. Muitos tomam o nakṣatra lunar  para descreverem a personalidade de alguém. Porém Satyāchārya e alguns outros autores como Pṛtthuyaśas também atribuem importância ao nakṣatra do lagna, caso detenha mais força do que a Lua. Para definir qual dos dois é mais importante devemos tomar aquele que possui mais planetas consigo e em kendras

Há várias descrições dos nakṣatras nos textos antigos como Bṛhat Saṁhittā de Varahāmihira, Jātaka Pārījāta de Vaidyanātha e também no Nārada Purāṇa de Devaṛṣi Nārada, além de interpretações contemporâneas que também possuem seu valor, como as presentes no Ligh on Life de Robert Svoboda e Hart de Fouw que considero excelente tanto para iniciantes quanto para praticantes mais avançados. Porém, é muito importante tomar como referência o que os antigos dizem, pois são concisos e precisos em suas colocações, o que te possibilita ter alguns poucos mas significativos adjetivos para definir cada nakṣatra 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

II. Vimshottari Dasha - Analisando o Antardasha

No artigo anterior abordei a interpretação do Mahadasha de acordo com o que é ensinado por Parasara no Hora Shastra. Agora para concluir, irei abordar o segundo nível de um Dasha: o Antardasha. Utilizarei o mesmo mapa do exemplo anterior, fazendo uma análise do último Antardasha do Mahadasha de Saturno, que é governado por Júpiter.

Interpretação do Antardasha

          Para se interpretar o Antardasha deve-se pensar em função do Mahadasha e daquilo que este promete, logo o AD (Antardasha) embora possa conferir resultados próprios, geralmente atua em função do MD (Mahadasha). Há várias regras básicas que devem ser analisadas, estas são abundantes no Phaladeepika de Mantreswara, um clássico indispensável para qualquer astrólogo que se preze. Porém abordaremos apenas algumas das regras básicas apontadas por Parasara. Segue-se um exemplo da interpretação de Parasara acerca do Antardasha de Júpiter no Mahadasha de Saturno, o que podemos representar como Dasha Saturno-Júpiter:

71-71/2. Efeitos como sucesso, bem estar familiar, ganho de veículos, ornamentos e roupas pelo benefício do rei, reverência, devoção as deidades e aos preceptores, associação com homens de conhecimento, felicidade para esposa e filho etc., derivarão no Antardasha de Júpiter no Dasha de Saturno, se Júpiter ocupar um Kendra, ou Trikona, ou se Júpiter estiver associado com o senhor do Lagna, ou se Júpiter estiver em seu próprio signo ou signo de exaltação.

I. Vimshottari Dasha - Analisando o Mahadasha


No Brihat Parasara Hora Sastra, Maitreya pede instrução a Parasara referente aos Dashas (sistemas de predição), e o mesmo responde:

Cp. 46 - Verso 2-5. Ó Brahmin! Dashas são de muitos tipos. Entre eles Vimshottari é o mais apropriado para a população geral.

          Em um trecho de um dos versos seguintes ele também diz:

Verso 12-14. Em Kali yuga o tempo de vida natural de um ser humano é geralmente tomado como 120 anos. Portanto o Vimshottari Dasha é considerado o mais apropriado e o melhor dentre os Dashas.

          O Vimshottari Dasha é o Dasha mais utilizado na Jyotisha, podendo ser aplicado em qualquer caso. Ele segue uma ordem natural de períodos, cada um com um número específico de anos, estes se estendem da seguinte forma:

Ketu (7)-Vênus (20)-Sol (6)-Lua (10)-Marte (7)-Rahu (18)-Júpiter (16)-Saturno (19)-Mercúrio (17)

          Porém, sendo baseado nas Nakshatras (que possuem a mesma ordem de regências planetárias), a ordem do Vimsottari vai depender da posição da Lua natal. Logo, se a Lua ocupa Krttika na constelação de Touro, o Vimshottari irá começar a partir do Dasha do Sol, pois Krttika é regida pelo Sol. Se ocupar Revati na constelação de Peixes, então Mercúrio irá reger o primeiro Dasha, assim segue. Deve-se nestes casos analisar quanto da Nakshatra a Lua percorreu e remover esta porção do número de anos, cálculo este que não será explicado aqui.