segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dhana vichara: investigando a riqueza em um mapa

Resultado de imagem para lakshmiEm dezembro darei um curso sobre como identificar em um mapa a situação econômica de um indivíduo, conforme oque é instruído na tradição. Os temas abordados no curso serão:

1. Artha, o desenvolvimento econômico dentro da perspectiva védica; Aṣṭa Lakṣmī, as oito formas da Deusa da fortuna.

2. As casas relacionadas a riqueza e a penúrias no Jyotiṣa; dhana yogas, configurações de riqueza e como identificar fontes de recurso material; vāhana yoga, configurações para aquisição de veículos; gṛha yoga, configurações para aquisição de propriedades e terras; daridra yoga, configurações de penúria e perdas.

3. Prevendo os momentos de lucro e perda através da viṁśottarī daśā e dos trânsitos.

4. Mantras, vratas (votos) e pūjas (adorações) recomendados nos śāstras para aquisição de fortuna.

Interessados no curso devem me contatar via email (jyotishabr@gmail.com). O prazo limite para inscrição no curso é dia 5 de dezembro. Serão dadas duas aulas de 1hr30min a no máximo 2hrs cada, via Gotomeeting (plataforma de vídeo conferência), incluindo gravação em áudio das aulas, PDF e 50 mapas para estudo e pesquisa. O valor do curso é de R$ 380,00.


Om tat sat

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Curso sobre a sétima casa - relacionamentos e sexualidade


Em novembro darei início a um curso de duas aulas sobre a sétima casa (yuvatī bhāva), com enfoque especial nos relacionamentos/casamento e sexualidade. Esse curso é fruto de extensas pesquisas que fiz a respeito do tema. Nas aulas, abordaremos os seguintes pontos:

1. Considerações sobre deśa-kāla-pātra - local, tempo e indivíduo
2. Significadores
3. Sexualidade
4. Natureza da(o) esposa(o)
5. Viuvez
6. Múltiplos casamentos
7. Renúncia e celibato
8. Strī jātaka (horóscopo feminino)

8. Prevendo o casamento
9. Upāyas (remédios)

Inúmeros exemplos serão dados, incluindo as referências clássicas de livros como Phaladīpikā, Sārāvalī, Sarvārtha chintamaṇi, Jātaka pārījāta, Bṛhat Parāśara horā śāstra, etc. Além disso, tratarei do tema casamento e sexualidade a partir da perspectiva védica, incluindo alguns pontos do āyurveda, especialmente no que tange a sexualidade.

Os interessados no curso devem me comunicar por email (jyotishabr@gmail.com). O prazo limite para inscrição é o dia 5 de novembro, sendo que os depósitos devem ter sido realizados até esse prazo. O valor do curso é de R$ 380,00 e as aulas serão dadas através da plataforma de vídeo conferência GoToMeeting, incluindo PDFs e 50 mapas para estudo. Cada aula durará de 1hr30min a até 2hrs. As datas e hora das aulas serão definidas conforme a disponibilidade dos alunos no mês de novembro.

Om tat sat

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Desmistificando o Maṅgala doṣa

Resultado de imagem para indian weddingMaṅgala doṣa, também chamado de Kuja doṣa foi uma das primeiras coisas que li a respeito quando conheci o jyotiṣa. É dito que aqueles que possuem Maṅgala (Marte) em um, dois, quatro, sete, oito ou doze a partir do lagna viverão um matrimônio infeliz, se divorciarão ou ficarão viúvos.

É fácil de entender o porquê dessa afirmação, afinal, Maṅgala é um graha ígneo e dos maléficos, o mais cruel. Além disso, é dominador, individualista e naturalmente inclinado a agressividade e a arrogância. Em relacionamento algum essas características são apreciáveis, pois vão completamente de encontro com as características de Śukra (Vênus), o kāraka do matrimônio, que é diplomático, pacífico e agradável.

Resta, no entanto, saber qual seria a referência clássica para o Maṅgala doṣa, pois muitos acreditam que se trata de uma invenção moderna, o que não é verdade - exceto pelo fato de que a designação desse yoga enquanto um doṣa (uma desarmonia, tal qual nascer no penúltimo ou no último dia lunar, em eclipses, etc.) é fruto da liberdade tomada pelos astrólogos contemporâneos. Quem menciona o Maṅgala doṣa é Parāśara, o qual diz o seguinte (80.47-49, BPHS):

"Uma mulher que nasce com Maṅgala em doze, quatro, sete ou oito a partir do lagna, sem a influência de um benéfico se tornará viúva.

Esse yoga se aplica também aos homens. No entanto, se ambos, marido e mulher possuem o mesmo yoga, seus efeitos cessarão".

Essa afirmação está no cp. de strī jātaka, horóscopo feminino, do horā śāstra, o qual é inteiro dedicado a determinar as características femininas, pois na tradição védica o casamento idealmente só deve ocorrer uma vez na vida e, portanto, o homem deve saber escolher corretamente a mulher com quem irá se casar e vice-versa.

domingo, 27 de agosto de 2017

Os fantasmas dentro da perspectiva do Jyotiṣa

Nṛsīmha, divindade que afasta fantasmas
Os espíritos/fantasmas são comuns em todas as culturas, inclusive na indiana. Nela, eles são chamados de bhūtas. Um bhūta é um ser que, após a morte, não conseguiu transmigrar para um plano superior ou inferior[1] e muito menos reencarnar ou alcançar mokṣa (a libertação).

As razões que levam um ser a assumir a forma de um bhūta são basicamente morte violenta e traumática, questões que ficaram mal resolvidas ao longo do período em que estava encarnado (e que o mantém apegado a esse mundo) ou a negligência de seus parentes em realizar as suas cerimônias de passagem, chamadas de śraddhā[2].

Uma vez que permanecem apegados a esse mundo, mas destituídos de uma forma física, os bhūtas acabam assombrando lugares e pessoas, geralmente porque querem se vingar de alguém, alcançar seus desejos mal resolvidos, satisfazer anseios sexuais, causar danos a outros, sugar aqueles que possuem uma vibração positiva mas que ainda são imaturos e desprotegidos, controlar e induzir pessoas que tem uma propensão maior a ira e outros sentimentos negativos ou aproximar-se de pessoas a quem mantém vínculos ou que possuem vibração semelhante, ou seja, que estão sob a influência de tamas[3] (a obscuridade), como alcoólatras, drogados, assíduos comedores de carne e pessoas inertes, de mentalidade torpe e obscura.

sábado, 26 de agosto de 2017

A relação do lagna com o corpo

O lagna (ascendente) é relacionado ao corpo, no entanto, esse não é o entendimento mais apropriado a respeito, pois na verdade o lagna só se relaciona com o corpo porque ele representa o crânio e o cérebro, a sede da inteligência, sem a qual não podemos viver de forma saudável.

A totalidade do corpo é descrita ao longo de todas as casas e não apenas do lagna. Por exemplo, a face e o pescoço são estudados através da dois, os ombros, braços e mãos por meio da três, etc.

No āyurveda é dito que existem três formas pelas quais a saúde é afetada: kāla parinama (mudanças relativa aos ciclos naturaism, como o das estações, por exemplo), prajñāparadha (falhas de julgamento) e asatmyendriyartha (uso nocivo dos sentidos). 

O lagna descreve especialmente prajñāparadha, ou seja, erros de julgamento que levam ao adoecimento, como ignorar os sinais que o próprio corpo dá, por exemplo, cultivando hábitos e um estilo de vida nocivo a saúde. É por conta disso que o lagna é relacionado a saúde e não porque ele representaria o corpo como um todo.

Um graha fraco e relacionado ao lagna indica prajñāparadha em relação aos seus temas (órgãos, doṣa, etc.), um lagneśa (senhor do lagna) fraco indicará o mesmo. Por exemplo, no mapa abaixo, Maṅgala (Marte) ocupa o lagna e aflige também o senhor do lagna, Śani (Saturno), por meio do seu olhar. Essa pessoa, portanto, está sujeita a pitta doṣa, desequilíbrios da sua função metabólica, o que também se refletiria em um humor irritadiço.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Guru (Júpiter)

Na Índia, Júpiter é chamado de Guru, que superficialmente significa "professor". O seu significado mais profundo, no entanto, é expresso na Advayatārakopaniṣad, que diz:

गुरुभक्तिसमायुक्तः पुरुष्ज्ञो विशेषतः।
gurubhaktisamāyuktaḥ puruṣjño viśeṣataḥ |

एवं लक्षणसंपन्नो गुरुरित्यभिधीयते॥ १५॥
evaṁ lakṣaṇasaṁpanno gururityabhidhīyate || 15||

A sílaba "gu" significa escuridão e "ru", aquele que dispersa. Portanto, quem tem tal poder de dispersar a escuridão da ignorância é um guru.

Logo, alguém capaz de guiar um indivíduo da treva de tamas (inércia, escuridão, ignorância) a luminosidade de sattva (bondade, equilíbrio, conhecimento) pode ser chamado de guru. No entanto, guru também pode se referir a alguém que remove nossas dúvidas quanto a um determinado ramo de conhecimento, não necessariamente espiritual.

Outra tradução da palavra guru é "pesado", referindo-se ao fato de um guru deter vasto conhecimento e estar firmemente alicerçado na verdade absoluta, ou seja, ele é um tattva-darśī (um vidente da verdade). De um ponto de vista mundano, qualquer pessoa que tenha vasta experiência e conhecimento em um determinado tema também pode ser considerado um guru, ou seja, um mestre.

Astrologicamente, Júpiter é quem personifica todas essas características. Inclusive, ele é o único graha exclusivamente kapha, ou seja, que partilha das características desse doṣa como ser pesado, macio, untuoso, doce e estático, o que favorece a sua natureza benevolente, tolerante e pacífica, uma vez que kapha é um doṣa mais associado as características femininas, pois combina dois elementos femininos em si: a água e a terra.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Māhamṛtyunjāya mantra

No seu horā śāstra, Parāśara diz que quando o indivíduo vive a daśā de um graha que ocupa ou rege a dois ou a sete, ou mesmo se relaciona com os regentes dessas duas casas, o indivíduo correrá riscos de vida ou experimentará sofrimentos e agonias semelhantes aos da morte. Isso se deve ao fato das casas dois e sete serem a doze da três e da oito, respectivamente, casas que falam sobre āyur, a longevidade. Portanto, dois e sete tratam da perda da longevidade e são denominadas mārakas (assassinas) nos textos clássicos.

Na minha prática atestei que, de fato, um indivíduo morrerá ou passará por dificuldades de saúde e temores durante as daśās acima mencionadas. Aqueles que tem indicações de vida curta (alpāyu) costumam abandonar o corpo na terceira daśā (vipat-tāra), os que tem vida média (madhyāyu), na quinta daśā (pratyak-tāra) e os de vida longa (pūrṇāyu) na oitava daśā (naidhana-tāra). Isso, obviamente, quando tais daśās estão de acordo com os princípios acima mencionados e há também uma confluência de fatores negativos, como trânsitos e indicações por parte de outras daśās tais como a śūla daśā.

No entanto, tendo em vista que determinar a extensão da longevidade (āyu-kandha) não é uma tarefa fácil, é recomendável que o indivíduo sempre tome um cuidado especial com a sua saúde na daśā de grahas que adquirem o potencial de mārakeśas (assassinos). Parāśara recomenda, inclusive, que certas práticas sejam realizadas durante tais períodos. Dentre elas, destaca-se a prática do māhamṛtyunjāya mantra, o grande mantra que venceu a morte e que é dedicado a Tryambakaṃ, aquele que possui três olhos: Śiva.