quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Kāraka bhāva nāśaya

No Bhavārtha ratnakara de Ramanuja há um verso que menciona a destruição da casa que é ocupada pelo seu kāraka (significador). P. e., Chandra na quatro, Guru na cinco, Śukra na sete, Śani na oito, Sūrya na nove, etc. Isso tem rendido muitas discussões entre os astrólogos, que dizem que o indivíduo representado pela casa ocupada por seu kāraka seria destruído ou afastado da vida da pessoa. No entanto, isso não é verdade, pois já vi dezenas de mapas onde a regra não funciona, ou seja, pessoas com Śukra na sete que tiveram um único e duradouro casamento, Guru na cinco indicando muitos filhos, etc.

Então, porque Ramanuja teria pontuado essa regra? Acredito, sinceramente, que ele se enganou ou simplesmente generalizou. Porém, há algo relevante a se considerar: quando o kāraka ocupa a casa que lhe foi designada, ao invés de termos três elementos (casa, senhor da casa e kāraka) para observar, teremos apenas dois (a casa que já está ocupada pelo kāraka e senhor da casa), no que tange aquele tema específico. Isso torna o tema em questão muito mais sensível a qualquer tipo de influência, seja ela positiva ou não.

sábado, 18 de novembro de 2017

Pai: nono ou décimo bhāva?

Há divergências no jyotiṣa a respeito de qual seria o bhāva que representaria o pai em um horóscopo. No norte da Índia, o comum é usar a dez, enquanto no sul é mais comum a nove. Mesmo no Bṛhat Parāśara horā śāstra essa controvérsia pode ser percebida, uma vez que Parāśara menciona a dez como o bhāva do pai, embora nos capítulos dedicados aos julgamentos dos bhāvas ele também use o nono bhāva para julgar o pai.

Nos demais clássicos, os astrólogos tomam a nove como o bhāva do pai. Inclusive, alguns astrólogos contemporâneos justificam que a nove representaria o pai, pois o lagna, que representa o indivíduo, é a cinco a partir da nove, no entanto, nesse sentido também podemos dizer que o esposo da mãe seria a sete a partir da quatro, ou seja, a dez. Além do que, não faria sentido que o bhāva que representa o indivíduo seja a dez a partir da quatro, se consideramos essa mesma lógica de que o bhāva do indivíduo tem de corresponder ao do filho a partir dos bhāvas do pai ou da mãe. Logo, esse argumento é irrelevante.

O porquê da nove ter sido relacionado ao pai nos clássicos se deve, na verdade, a questões culturais e tradicionais. O nono bhāva é chamado de dharma sthana, o local onde estudamos o dharma, o qual nos é transmitido pelas religiões, por meio dos gurus e dos mais velhos, incluindo aí os pais! Sim, pais, e não apenas pai, pois a mãe também é um guru dentro da concepção tradicional, como confirma p. e., o Yajñavalkya smṛti. Logo, a razão da nove ter sido relacionado ao pai ou pais, como mencionam também alguns clássicos, é tão somente essa.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Graha sphuṭa dṛṣṭi

A relação estabelecida entre grahas a partir dos aspectos, no jyotiṣa chama-se dṛṣṭi, cujo significado literal é "olhar". Um olhar presume influência, ou seja, o graha que olha um determinado ponto do horóscopo imprime sobre ele certas características suas, as quais também se distinguem pela natureza do olhar (de 90º, 120º, 180º, 210º, etc.).

Nos clássicos, os seguintes dṛṣṭis são descritos:

(1.1) Todos os grahas lançam dṛṣṭi pleno (100%) a sete¹, de 3/4 (75%) a quatro e a oito, de 2/4 (50%) a cinco e a nove e de 1/4 (25%) a três e a dez a partir de suas posições natais.

(1.2) Maṅgala, Guru e Śani detém dṛṣṭis especiais, afora os acima mencionados. Maṅgala lança dṛṣṭi pleno a quatro e oito, além da sete; Guru a cinco e nove, além da sete; Śani a três e dez, além da sete.

Yavanācharya, Sūrya, Varahāmihira, Kalyāna, Vaidyanātha, Vyankateśa, Balabhadra e tantos outros astrólogos mantém a mesma visão quanto a isso. Inclusive, nenhum deles menciona rāśi dṛṣṭi (olhar por signo) em seus textos, provando que essa técnica não faz parte do sistema de jyotiṣa designado Parāśari. Rāśi dṛṣṭi é mencionado por Jaimini, Kṛṣṇamiśra, Somanātha e outros autores, os quais por sua vez, jamais mencionam graha dṛṣṭi em seus livros, ou seja, graha e rāśi dṛṣṭi são dṛṣṭis propostos por diferentes escolas de jyotiṣa, no caso, Jaimini e Parāśari, respectivamente. Idealmente, não devemos misturá-los, mas usá-los separadamente dentro dos limites de cada sistema.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Sthira e utpāta karma

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No Horā ratna de Balabhadra, logo no primeiro capítulo, há uma explicação acerca de como o karma se efetiva através do daiva (destino). Balabhadra explica (30-31) que as inclinações (mati) de um indivíduo dependem do seu intelecto (buddhi) e que, portanto, todas as manifestações do seu karma se darão a partir disso. Em outras palavras, o daiva se efetiva a partir de nossa percepção/compreensão condicionada da realidade. No entanto, embora o destino seja real, Balabhadra prossegue explicando que a existência do destino não nos isenta da necessidade de agir, pois os śrutis e smṛtis prescrevem uma série de atividades e proibições que visam educar e elevar o jīva (ser vivo). Além disso, todos precisam se ocupar em algum tipo de trabalho (karma) para se manter e até mesmo para obter os frutos de seu karma prévio.
Para provar a existência de um destino imutável ou sthira (fixo) e outro maleável (utpāta - súbito) ou dependente de nossas ações, Balabhadra cita um verso de Vṛddha Yavana e explica que as configurações do mapa revelam o sthira karma ao passo que os trânsitos dos grahas determinam utpāta, resultados súbitos ou inesperados.
Varahāmihira, Kalyana, Parāśara, etc., indiretamente concordam com esse princípio, uma vez que recomendam, p. e., o estudo do daśā praveśa chakra ou o mapa dos trânsitos que ocorrem no início de uma daśā. Sem o daśā praveśa ou um estudo regular dos trânsitos, não é possível determinar com tanta segurança o que ocorrerá em uma determinada daśā, pois os trânsitos tem o potencial de fortalecer ou enfraquecer certas promessas. Nesse caso, sthira e utpāta são considerados conjuntamente na análise.
P. e., se o indivíduo vive a mahādaśā de Guru e esse está bem colocado no mapa isso não quer dizer que apenas bons resultados se darão, uma vez que a partir de trânsitos maléficos sobre Guru, trânsitos do próprio Guru e também outros trânsitos negativos sobre o mapa natal  farão o indivíduo sofrer. Esse é um exemplo claro de como utpāta se manifesta.
O que me atraiu na explicação apresentada por Balabhadra é, sem dúvida, o fato dele não definido utpāta como um karma completamente aleatório e livre, como muitas pessoas acreditam que seja. Sua ideia é precisa e está de acordo com os jyotiṣa śāstras, śrutis e smṛtis, uma vez que mantém a noção de um determinismo moderado ou compatibilismo, onde as ações livres não são absolutamente livres, mas sim condicionadas por fatores como circunstância, impressões passadas, etc. 

Om tat sat

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Estudando a pureza através do quarto bhāva

O quarto bhāva, de acordo com Parāśara, descreve kanyā, a pureza de um indivíduo. Podemos identificar se alguém é dotado de bons e nobres sentimentos ou se é malicioso e enganador por meio desse bhāva, o qual representa, a um nível físico, o coração e, naturalmente, as nossas emoções e grandeza de espírito.

Krūra grahas (maléficos) influenciando a quatro, enquanto o seu senhor está mal colocado geram infelicidade, inveja, uma natureza enganadora, mesquinha, insensível e maliciosa. Influências de śubha grahas (benéficos) na quatro, por outro lado, fazem o indivíduo sincero, jubiloso, inocente, puro, tranqüilo e benevolente, desde que o seu senhor também detenha força e ocupe rāśis (signos) e aṁśas (divisões) de śubha grahas. Os seguintes ślokas do Jātaka pārījāta provam o que digo:

"Se o senhor da oito estiver conjunto a um krūra graha e a quatro estiver ocupada por um krūra graha, o indivíduo será dado a enganar; mas se o senhor da oito estiver em uccha, sva ou mitra rāśi/aṁśa, enquanto a quatro recebe o olhar de um śubha graha, o indivíduo será sincero.

O indivíduo terá uma mente pura e calma caso o senhor da quatro estiver forte, em gopura ou outro vaiśeṣikāṁśa, ou mesmo em mṛdu e outros ṣaṣṭyāṁśas benevolentes. - 12.94-95"

Outra interessante informação sobre a quatro é dada na Phaladīpikā, onde Mantreśvara diz (11.01) que a castidade também depende da boa condição da quatro e de seu senhor. No entanto, é óbvio que essa informação deve ser considerada conjuntamente com os outros elementos do mapa e não isoladamente.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A relevância do bhāveśa


O śloka acima diz o seguinte:

"Grahas ocupando um bhāva não podem progredir quando o seu senhor ocupa um dusthāna, está asta (combusto), em nīcha (debilitado) ou śatru rāśi (signo inimigo). - Jātaka pārījāta, 11.8"

Encontrei hoje esse śloka e ele apresenta um princípio muito relevante, pois por vezes notamos que há um graha bem colocado em um bhāva, mas o bhāveśa (senhor do bhāva) está mal colocado. Em tais situações as coisas podem até começar bem, mas não progridem e seus efeitos declinam algum tempo depois.

P. e., se um śubha graha (benéfico) ocupa a nove, mas o seu senhor está fraco em um dusthāna, o indivíduo pode iniciar um vrata (voto religioso) com entusiasmo e êxito, mas ao final não é capaz de cumpri-lo.

Outro exemplo seria uma mulher que conta com um śubha graha na cinco, mas o seu senhor está mal colocado. Em tal situação a gravidez pode até ocorrer, mas na seqüência a pessoa vive um aborto.

Em casos onde o bhāva está aflito, mas seu senhor bem colocado, os temas começam mal, mas apresentam algum progresso, ou seja, o contrário se dá, embora os resultados nesse caso não sejam plenos, pois isso exigiria a boa condição do bhāva e de seu senhor, isso para não mencionar também o kāraka (significador) do assunto em questão.

Om tat sat

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dhana vichara: investigando a riqueza em um mapa

Resultado de imagem para lakshmiEm dezembro darei um curso sobre como identificar em um mapa a situação econômica de um indivíduo, conforme oque é instruído na tradição. Os temas abordados no curso serão:

1. Artha, o desenvolvimento econômico dentro da perspectiva védica; Aṣṭa Lakṣmī, as oito formas da Deusa da fortuna.

2. As casas relacionadas a riqueza e a penúrias no Jyotiṣa; dhana yogas, configurações de riqueza e como identificar fontes de recurso material; vāhana yoga, configurações para aquisição de veículos; gṛha yoga, configurações para aquisição de propriedades e terras; daridra yoga, configurações de penúria e perdas.

3. Prevendo os momentos de lucro e perda através da viṁśottarī daśā e dos trânsitos.

4. Mantras, vratas (votos) e pūjas (adorações) recomendados nos śāstras para aquisição de fortuna.

Interessados no curso devem me contatar via email (jyotishabr@gmail.com). O prazo limite para inscrição no curso é dia 5 de dezembro. Serão dadas duas aulas de 1hr30min a no máximo 2hrs cada, via Gotomeeting (plataforma de vídeo conferência), incluindo gravação em áudio das aulas, PDF e 50 mapas para estudo e pesquisa. O valor do curso é de R$ 380,00.


Om tat sat