terça-feira, 1 de maio de 2018

Considerações importantes sobre viparīta rāja yoga

Dentre os yogas, talvez um dos mais incompreendidos seja o viparīta rāja yoga, um tipo de rāja yoga que manifesta seus resultados apenas após alguma situação estressante e dolorosa, ou seja, após algum tipo de revés (viparīta - contrário, inverso, oposto). A razão principal desse ser um yoga tão incompreendido é a divergência existente em relação ao tema entre os astrólogos tanto clássicos quanto contemporâneos.

Mantreśvara, por exemplo, no cp. sexto de sua Phaladīpikā, opina que o viparīta ocorre quando (1) o senhor de seis ocupa a oito ou a doze sob influência de um maléfico; (2) o senhor de oito ocupa a seis, oito ou doze; (3) o senhor de doze ocupa a seis ou oito sob influência de um maléfico. Os nomes que ele dá a esses yogas são, respectivamente, harṣa (deleite), sarala (honesto, correto) e vimala yoga (puro), e seus efeitos incluem um bom caráter, destemor, sucesso e riqueza, dentre outros. No entanto, para que o viparīta seja funcional não pode haver parivartana (recepção mútua) envolvendo um senhor de dusthāna com o senhor de qualquer outra casa, pois isso desencadeia um dainya yoga, um yoga para miséria, pobreza e difíceis revezes na vida. Essas são, basicamente, as opiniões de Mantreśvara quanto a viparīta rāja yoga.

Outro astrólogo - posterior a Mantreśvara -, chamado Kālīdāsa e que é autor do Uttara kalāmṛta, já tem uma opinião um pouco distinta, inclusive, ele é quem usa pela primeira vez o termo viparīta rāja yoga. No cp. quarto, ele diz que um viparīta ocorre quando o senhor de um dusthāna ocupa outro dusthāna - assim como menciona Mantreśvara -, mas sem a interferência de qualquer outro graha que não seja o senhor de um dusthāna. Além disso, na opinião de Kālīdāsa, se os senhores de dusthānas formam um parivartana entre si, isso também gera um viparīta ao invés de um dainya yoga, como afirma Mantreśvara. Conjunções e outros sambandhas (relacionamentos) entre senhores de dusthānas, mesmo que não se deem em dusthānas, para Kālīdāsa também são viparītas.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Conhecimento espiritual e escritural, paciência, memória e contemplação

No Charaka saṃhitā, importante texto de āyurveda, é mencionado que as doenças físicas resultam de vāta, pitta e kapha, enquanto as da mente, são resultantes das perturbações causadas por rajas (paixão/apego/egoísmo) e tamas (ignorância/obscuridade/inércia). 

O interessante é que no que se refere ao tratamento dos problemas resultantes da mente, a recomendação dada no texto é basicamente o cultivo de (1) conhecimento espiritual e escritural, (2) paciência, (3) memória e (4) contemplação, pois assim rajas e tamas podem ser removidos e sattva (equilíbrio/bondade/pureza/conhecimento) evocado. Essas são recomendações muito pontuais, sendo aplicáveis também ao jyotiṣa no que se refere aos upāyas (remédios).

O cultivo de conhecimento espiritual por meio do estudo escritural (no caso dos hindus, focado nos purāṇas, nas upaniṣads e nos vedas, principalmente), p. e., é chamado de svadhyāya yajñā, o sacrifício envolvendo o estudo do eu. O ideal é que diariamente dediquemos algum tempo ao cultivo de conhecimento espiritual por meio das escrituras, pois isso otimiza sattva, traz clareza quanto a realidade das coisas e da natureza do eu. Esse estudo, quando combinado com a memorização e a recitação de ślokas (versos), stotras e mantras, assim como da memorização ou rememoração de princípios filosóficos, ajuda não só a evocar sattva como também estimula o desenvolvimento de regiões do cérebro associadas a memória, a capacidade de tomar decisões e a percepção sensorial, como já foi comprovado em estudos neurológicos sobre a diferença entre o cérebro de paṇḍītas dedicados a memorização dos textos védicos e indivíduos comuns.

Em relação a paciência, o termo usado em sânscrito é dhṛti, cujo significado também pode ser determinação, vontade, estabilidade e resolução. Sem dhṛti, não se pode alcançar paz de espírito, uma vez que a vida envolve uma mistura de eventos felizes e tristes, os quais se alternam continuamente. A paciência ou a equanimidade, portanto, é essencial, pois quem espera que o ambiente se curve as suas vontades certamente se frustrará, uma vez que infelicidades e misérias jamais podem ser completamente evitadas em um mundo como este. Logo, mais sábio é curvar-se a vida, afinal, não temos outra opção a não ser aceitarmos os frutos do nosso karma, enquanto nos empenhamos em prol do aperfeiçoamento pessoal pacientemente, mantendo sempre uma perspectiva ampla dos eventos vivenciados.

Por fim, no Charaka saṃhitā também recomenda-se a prática da contemplação como uma forma de mitigar rajas e tamas, o que evoca não só conhecimento (jñāna) como também realização espiritual (vijñāna). Nesse caso, a contemplação incluí tanto dhyana (meditação) quanto também mantra japa (a prática meditativa de um mantra). Inclusive, na literatura do jyotiṣa, a prática de mantra é especialmente enfatizada, enquanto graha śantīḥ, o que conecta essa recomendação do āyurveda as próprias recomendações já presentes no jyotiṣa e, não só, o próprio Mantreśvara, em sua Phaladīpikā, faz recomendações análogas as de Charaka, embora não seja tão específico quanto o mesmo. Ele diz o seguinte (26.50):

"Os grahas são favoráveis àqueles que não prejudicam aos demais, que exercitam o autocontrole e são sempre atentos ao caminho e as regras de conduta delineadas nos śāstras, observando uma disciplina religiosa."

om tat sat

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A astrologia é mesmo védica?

O termo "astrologia védica", da forma como é usado nos dias de hoje não é correto. Por que? Porquê não há nenhuma evidência de astrologia preditiva presente nos quatro vedas (ṛg, sama, yajur e atharva) e nem textos astrológicos que antecedam o século II d.C. Algumas pessoas tem grande dificuldade de aceitar isso e realizam um verdadeiro malabarismo para justificar a astrologia preditiva como sendo de origem védica e eu mesmo por muito tempo tentei acreditar e afirmar isso, mas todas as pesquisas históricas que fiz me levaram a concluir que, de fato, a astrologia preditiva registrada nos clássicos não é puramente védica, ela apenas inclui alguns elementos de origem védica.

O mais antigo texto de jyotiṣa é chamado Vedāṇga Jyotiṣa o qual data de aprox. 1100 a.C, datação possível graças a informações astronômicas relativas a época contidas no próprio texto. No entanto, o VJ não é um texto de astrologia preditiva, pois focava apenas na confecção de calendários baseados no ciclo soli-lunar, nos nakṣatras, tithīs e outros elementos, ignorando completamente os outros grahas (Maṅgala, Budha, Guru, Śukra e Śani). Esses calendários eram usados pelos brāhmaṇas para determinar os dias mais adequados para a realização de yajñas e saṁskāras contidos no ṛg e atharva veda, ou seja, resumia-se a uma prática sacerdotal com fins religiosos e civis. Logo, a antiguidade do Vedāṇga Jyotiṣa do sábio Lagadha não prova nada, pelo contrário, só deixa claro que se houve um jyotiṣa realmente védico, ele não tinha um caráter preditivo (ou se tinha, era rudimentar e distinto do que conhecemos hoje) e usava apenas do sol e da lua, não fazendo qualquer menção ao zodíaco e tendo fins, ao que tudo indica, eletivos.

Quem focou em desenvolver, de fato, a astrologia de caráter preditivo foram os babilônios (e os egípcios também, em certo grau). Inclusive, o zodíaco advém da Babilônia e o artefato mul.apin é a prova cabal disso, assim como os próprios símbolos usados como o centauro e o capricórnio, os quais não possuem qualquer relação com a cultura védica.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Em maio, curso online sobre o tema filhos

Após o dia de 15 maio darei um curso online sobre como analisar o tema filhos em um mapa, conforme o que é ensinado em diversos textos clássicos de jyotiṣa, como Bṛhat jātaka, Phaldīpikā, Sārāvalī, Sarvārtha chintāmaṇi, Jātaka pārījāta, Jātakālankāra e outros. O curso será dividido em quatro aulas de 1hr30min cada (6hrs no total) e ensinará cada detalhe do assunto, valendo-se de ampla variedade de yogas (configurações descritas nos clássicos) e incluindo cinqüenta mapas para estudo e exemplificação, material didático, além das gravações das aulas, as quais serão ministradas online via gotomeeting (plataforma de áudio conferência).

As datas e os horários das aulas serão combinados com os alunos, de forma que possamos tornar esse um encontro possível para todos. Mesmo aqueles que não puderem comparecer poderão se inscrever no curso, uma vez que todas as aulas serão gravadas e enviadas por email para estudo posterior.

Os temas abordados no curso serão os seguintes:

1.0. FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS
1.1. Pūtra - explicação do termo dentro da concepção tradicional.
1.2. Pūtra & dharma - a procriação enquanto dharma; os saṁskāras (ritos) pré-natais e pós-natais.
1.3. Deśa, kāla & pātra - considerações importantes quanto ao contexto cultural (deśa), histórico (kāla) e as especificidades individuais (pātra) no que tange o tema filhos.

2.0. JYOTIṢA
2.1. Pūtra bhāva - explicações sobre a casa dos filhos; a importância de Guru (Júpiter).
2.2. Kārakas - casas e grahas importantes para a análise de filhos; saptāṁśa, a divisão que trata de filhos e netos.
2.3. A importância do ṛtu e niṣeka jātaka - os mapas do momento da menstruação (primeira ou outras) e do ato sexual visando a procriação; bīja e kṣetra sphuṭa, pontos matemáticos usados de forma complementar para determinação da fertilidade masculina e feminina.
2.4. Obtenção de filhos - configurações que indicam filhos sem atraso ou com atraso e dificuldades; como julgar a natureza, o gênero e o número de filhos.
2.5. Negação ou perda de filhos - configurações que negam ou indicam a perda de filhos, devido a abortos ou morte precoce.
2.6. Adoção & yogas especiais - configurações para adoção e outras indicações especiais.
2.7. Śapas  - como identificar maldições de vidas passadas que impedem a obtenção de progênie.
2.8. Pūtra jātaka - considerações baseadas no horóscopo da criança nascida.

PREVENDO ATRAVÉS DAS DAŚĀS E DOS TRÂNSITOS
3.1. Nakṣatra daśās e a viṁśottarī daśā - regras para prever filhos a partir dos períodos de vida (daśās) indicados na viṁśottarī.
3.2. Gochara - como prever filhos valendo-se dos trânsitos.

UPĀYAS (remédios)
4.1. Āyurveda - recomendações do āyurveda.
4.2. Graha śantīḥ - mantras e outras práticas recomendadas para obtenção de progênie.

O valor do curso é de R$ 400,00 à vista ou 2x de R$ 210,00. Caso consiga fechar uma turma de 10 pessoas, então o valor integral cairá para R$ 290,00. O pagamento deverá ser feito até no máximo o dia 15 de maio. Interessados devem me contatar via email: jyotishabr@gmail.com ou whatsapp: 12996242742.

om tat sat

quinta-feira, 29 de março de 2018

K. N. Rao sobre "o que é graha śantīḥ ou pacificação dos planetas?"

Related imageAbaixo, apresento uma tradução das pgs. 147-148 do livro "Astrology, destiny and the wheel of time" escrito pelo K. N. Rao. Trata-se de um trecho do cp. 5 do livro, entitulado "A importância da pacificação dos planetas". Nele, K. N. Rao expõem em sete considerações o que a sua vasta experiência o levou a concluir a respeito dessa questão:

1.      Cada astrólogo tem a sua própria resposta a respeito do que é, realmente, graha-śantīḥ.

2.      Eu tenho uma resposta dupla para essa questão. Astrologicamente é possível ver se uma medida remediadora funcionará em um determinado caso ou não[1]. Em casos onde tais medidas não funcionarão, é dever moral de um astrólogo ajudar aquele que o consulta a re-obter a auto-confiança perdida. Isso pode ser feito não por meio de blefes, mas por preparar o consulente para que ele aceite os golpes do destino como a mais essencial disciplina da vida. Isso soará como pregação, mas em certos casos deve-se evitar a pregação e convencer o consulente por outros meios a respeito do porque ele deve aceitar o destino como inevitável em determinadas situações. Por seguir essa linha de pensamento, eu já criei controvérsias e inimigos.

3.      Se o consulente é um devoto genuíno, como no caso de Y. S. (uma pessoa que o K. N. Rao atendeu), o melhor remédio é pedir a ele que pratique sua adoração com mais intensidade. Afinal, se Deus não pode salvar, quem mais poderá ou irá?

4.      Aqueles que prescrevem jóias não sabem como e quando elas funcionam. Eles mantém conexões com alguns joalheiros os quais os oferecem comissões pelas vendas que realizam por meio da astrologia. Isso não é astrologia, mas uma raquete de negócios bem conhecida.

5.    Yantras podem funcionar, desde que sejam feitos por um adorador puro que os realize em dias astrológicos auspiciosos, conforme prescritos nas escrituras. Algumas das pessoas capazes de produzir yantras apropriados são raríssimos mahātmas. Astrólogos nem sequer sabem os segredos acerca de como produzir um yantra, mas para qualquer coisa que manufaturem eles já possuem um mercado pronto!

6.      Mahāṛṣi Parāśara (todos praticamos a astrologia de Parāśara, mas não recomendamos remédios de acordo com o que Parāśara prescreve) menciona apenas a recitação de mantras e dāna (caridades). Mas para os astrólogos mercenários, prescrever apenas o que Parāśara diz não é suficiente, visto que não seria rentável, comercialmente falando.

7.      O aconselhamento feito por bons psicólogos em alguns casos funciona bem, desde que isso não se torne também outro meio profissional mercenário. Um astrólogo com um bom conhecimento de psicologia pode fazer um uso muito efetivo desse conhecimento, dando os melhores aconselhamentos do mundo [devido a boa combinação que a psicologia pode formar com a astrologia, embora isso também possa destruir toda a objetividade característica de um astrólogo, sem a qual é impossível prever ou julgar um tema apropriadamente].




[1] K. N. Rao aponta algo importantíssimo nessa passagem. No entanto, vemos hoje um monte de astrólogos dizendo que qualquer configuração do mapa pode ser remediada e que é possível remover debilitações, combustões e tantas outras debilidades do mapa, incluindo até mesmo mudar a posição de um planeta! Isso é uma grande farsa. Os inocentes, aflitos e ignorantes caem nessa ladainha e ao invés de receberem previsões dos astrólogos (esse é o dever de um astrólogo e só dessa forma é que ele poderá recomendar remédios da forma apropriada), acabam recebendo um monte de "remédios", afinal, é mais fácil deixar o destino na mão do consulente e não lhe dar resposta alguma sobre o que irá, de fato, acontecer.

sábado, 24 de março de 2018

Os trânsitos difíceis de Śani: sade sati, ardhāṣṭama e aṣṭama

Uma deidade de Śani deva
Sūrya (Sol) possui dois filhos que são encarregados de punir a todos os seres que infringem as leis do dharma: Yāma e Śani. Yāma castiga após a morte os seres que se dedicaram a atividades ímpias, enquanto Śani trata de castigá-los ainda em vida. Não a toa, as pessoas em geral temem os trânsitos de Śani, assim como temem a sua mahādaśā de 18 anos, o que é até certo ponto justificável.

Se consultamos os textos em sânscrito de jyotiṣa vemos que todos os autores em uníssono declaram que os trânsitos de Śani só são auspiciosos quando se dão nas casas três, seis e onze a partir de Chandra, ou seja, apenas uma faixa de sete anos e meio, dentro do ciclo (paryāya) de Śani de vinte e nove anos e meio, ainda sim, com intervalos amplos entre um trânsito e outro. Porém, não podemos generalizar tais efeitos, uma vez que há muitas variações possíveis em termos de resultados e não necessariamente todos os trânsitos definidos como negativos ou positivos para Śani serão de fato fieis a isso. Afinal, temos as daśās (períodos da vida) e as próprias promessas do mapa natal para comparar com os trânsitos, o que já aumenta muito o número de variáveis possíveis, isso sem falar do aṣṭākavarga, um sistema de análise dos trânsitos que atribui pontuações variáveis para cada trânsito, quebrando assim com o esquema quadrado de que apenas os trânsitos de Śani por três, seis e onze são auspiciosos.

Mas, ainda sim, é verdade que certos trânsitos de Śani podem ser bastante difíceis, cruéis e até mesmo fatais. Geralmente, isso se dá quando há uma confluência negativa por parte do trânsito, da daśā regente e também das próprias promessas natais. P. e., quando Śani transita a um, dois, quatro, oito ou doze a partir de Chandra, o indivíduo tende a vivenciar as fases mais difíceis de sua vida, especialmente se a daśā vigente for de um māraka (assassino) ou de um chidra graha[1], ou seja, a daśā do senhor da oito, de um graha na oito, do senhor do 22º drekkāṇa ou do 64º navāṁśa, do dispositor de Gulika ou de um graha relacionado ao mesmo.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Āyurjyotiṣa: os tipos e desequilíbrios de kapha

Kapha, doṣa em que predominam a água e a terra, de acordo com Parāśara e outros autores está relacionado a três grahas: Chandra, Guru e Śukra. Desses o único graha puramente kapha é Guru, enquanto Chandra e Śukra são parcialmente vāta, uma vez que manifestam certo grau de volubilidade. Guru, por outro lado, não é nada volúvel. A própria palavra "guru" significa "pesado", sendo esse justamente um dos atributos (guṇas) principais de kapha - outros são a umidade, o frio e a lentidão, p. e. Logo, é coerente que Guru, o jīva kāraka (significador da vida), seja o principal graha a representar kapha, pois é inclusive a própria antítese de Śani, o qual representa o vāta negativo, ou seja, o princípio da morte (mṛtyu kāraka).

Um indivíduo de constituição (prakṛti) kapha, em seu jātaka, terá configurações específicas envolvendo Chandra, Guru e Śukra, assim como os rāśis desses: touro, câncer, libra, sagitário e peixes. Predominância de significadores pessoais (lagna, lagneśa, Chandra ou Sūrya) ocupando esses rāśis ou mesmo a força destacada de Chandra, Śukra ou Guru, especialmente quando esses ocupam os kendras (como no caso de malavya e haṁsa mahāpuruṣa yoga) ou influenciam os significadores pessoais são exemplos de configurações comuns entre aqueles cuja constituição é kapha.

Se Chandra, Guru ou Śukra se relacionam com dusthānas ou seus senhores isso é causa de doenças e desequilíbrios tipicamente kapha. Ou seja, o indivíduo pode ter problemas envolvendo muco, problemas pulmonares e respiratórios, excessos sexuais, indulgência em prazeres, obesidade, congestões, resfriados, retenção de líquidos, diabetes, tumores, letargia, etc. Tais desequilíbrios se manifestarão na mahā-antar-pratyantardaśā de Chandra, Guru, Śukra, de seus dispositores ou de grahas relacionados. Inclusive, é natural que durante as daśās de Chandra, Guru ou Śukra, assim como em certos trânsitos dos mesmos, o indivíduo desenvolva mais desequilíbrios e características kapha, mesmo que a sua prakṛti (constituição) seja outra.